Mostrando postagens classificadas por data para a consulta delegado. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta delegado. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de agosto de 2010

Não dá pra entender...ou melhor... entenda quem quiser!

Você sofre escuta telefônica. É acusado por um procurador. Mas repare que ele não acata a maior parte do trabalho da Polícia Federal, que está no caso. No entanto, eles têm algo em comum. O delegado e o procurador não lhe dão direito de defesa (isso porque você vive em um Estado de Direito, que não lhe dá o direito de saber qual é a acusação que lhe fazem e a "qualidade" - o que eles entendem do assunto - do trabalho realizado pelos agentes desse Estado). Assim fica fácil, não?! Só um lado deturpando tudo o que for possível para destrui-lo. O serviço foi feito.

Você já vinha se defendendo na Justiça e mostrando sua inocência, mas porque não montar uma "operação" (qual foi o custo dessa operação e os procedimentos adotados pelo delegado?) e submetê-lo a uma orgia de declarações à mídia. Como se defender disso?

Você foi preso, seus computadores e documentos pessoais e profissionais confiscados. Você não pode falar.

A mídia publica tudo o que um delegado e um procurador dizem, mas não apuram. Acrescentam o que for possível por sua conta, mas não têm a mínima idéia do que é o sistema de transplante.

O procurador dizia nunca ter tido tantas certezas das provas contra você. É feito o trabalho da Justiça com a presença de um OUTRA procuradora do Ministério Público Federal. As testemunhas são ouvidas e aqueles que diziam ter tantas provas, pedem adiamento e, depois, não cumprem o prazo para apresentação da acusação.

A nova procuradora manifesta-se sobre o seu caso, na sua frente, dizendo coisas que você fica na dúvida se ela está falando mesmo do seu caso (sim, aquele em que você foi preso como se fosse um bandido). É a esquizofrenia processual-midiática. Isso tudo porque tinham tantas certezas.


Ou seja, ampliam o quanto podem o seu suplício em mídia privada e pública.

Enquanto isso, o sistema de transplantes do Rio fica quase paralisado... mas, aqueles que o acusavam mantêm-se em silêncio.

Pessoas morrendo... mas não é esse o caso, não é mesmo?! Ministério da Saúde? Ministério Público? Polícia Federal? Mídia?

Nem o credenciamento dos hospitais que foi, pomposamente, noticiado pelo secretário de saúde do Rio saem do papel.

Mas... não é esse o caso, não é mesmo?!

O objetivo da "operação" já foi alcançado, não é mesmo?! Calaram quem tinham de calar... tentaram destruir a carreira daquele que denunciava o que ninguém tinha interesse ou coragem de investigar e publicar, não é mesmo?!

Como essas coisas pairam em um silêncio indecente!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Sérgio Côrtes - secretário de saúde e da defesa civil

Quando a Secretaria de Saúde-Central de Transplantes (Sérgio Côrtes- Ellen Barroso - Helen Myiamoto) desperdiçavam órgãos para transplante por incapacidade na gestão na captação, ninguém deu ouvidos às denúncias do médico...

Quando usavam a Câmara Técnica para atacar os procedimentos do Dr. Joaquim Ribeiro Filho, mas não haviam feito, sequer, uma reunião dessa mesma Câmara desde que foi criada, ninguém quis apurar as responsabilidades...

Quando mais de 100 pessoas entre mortos e já transplantados foram encontrados na lista de transplante, todos, inclusive a mídia, fizeram de conta que não sabiam do que se tratava e quem eram, de verdade, os responsáveis pela lista...

Quando um recadastramento ridículo e completamente equivocado, do ponto de vista médico e dos protocolos do ministério da saúde, deixou de encontrar 200 pacientes que estavam na lista, ninguém perguntou pela vida deles...

Mas no caso do médico:
Rapidamente, colocaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal para fazerem escutas, editarem o material, passearem com fuzis pelo Hospital do Fundão e intimidarem membros da equipe de transplante...

Ameaçaram a Ong Amigos do Transplante, que questionava a ação da secretaria de saúde e da central de transplantes (hoje o Fundão está um caos), impediram que o médico se defendesse do que o acusavam, colocaram dezenas de policiais federais para retirá-lo de sua casa depois de avisar todos os canais de televisão...

Confiscaram seus computadores e documentos e os de todos os membros de sua equipe e se esbaldaram em linchá-lo e a toda a sua equipe em uma orgia midiática (o que deve ser a nova função de funcionários do Estado de Direito)...

Isto tudo, sobre um caso em que ele já havia sido absolvido por 21 X 0 no Cremerj (o que deveria lhe dar, ao menos, o direito à dúvida)...

A Polícia Federal escolheu o alvo errado, o problema errado, o delegado errado e os procedimentos errados. O mesmo pode ser dito do Ministério Público Federal (vejam, na matéria abaixo, que a ação é do Ministério Público Estadual). O sistema de transplantes está, praticamente, paralisado no Rio graças a esses senhores.

O Ministério da Saúde prestou-se ao trabalho oportunista de acusar o médico, jogando para a arquibancada, mas não toma uma medida sequer sobre o que ocorre na Saúde do Estado do Rio de Janeiro (e no Hospital do Fundão).

Vejam as matérias abaixo. Vejam como a própria mídia é "cuidadosa" ao fazer referência aos acusados...quanta diferença frente ao linchamento midiático do médico!

Escândalo? Quadrilha? Enriquecimento ilícito? Como disse o candidato ao governo do Rio, Fernando Gabeira: "eles fazem de conta que não é com eles!".

"Quem é generoso com os cruéis acaba sendo cruel com os generosos, diz o ditado."

Emergência?
Saúde gastou R$ 81 milhões sem licitação em 2009
Publicada em 12/07/2010 às 23h55m
O Globo

(...)
Em novembro do ano passado, a Secretaria de Saúde comprou - sem licitação - o antibiótico levofloxacino 5 miligramas, em bolsa de 100 mililitros, por R$ 19,20 a unidade. Dois meses antes, numa concorrência pública, a prefeitura de Porto Alegre havia pagado R$ 10,86 pelo mesmo produto. O estado do Rio pagou 77% a mais. No mesmo mês, o frasco de 10 mililitros de dipirona sódica 500 miligramas saiu a R$ 0,90 para a Secretaria. Em junho do mesmo ano, o medicamento - na mesma apresentação - custou R$ 0,37 para a Prefeitura de Maringá, no Paraná.
A reportagem compara o gasto do Rio com gaze (R$ 0,59 o pacote) à compra feita pela prefeitura de São Paulo, que, em 2010, pagou pelo mesmo produto a metade do preço: R$ 0, 29 cada pacote, numa compra feita em pregão. Se tivesse conseguido pela gaze o mesmo preço cobrado em São Paulo, o estado teria economizado - em uma única compra - R$ 2, 2 milhões (2.202.667,06).
(...)
No mês passado, o deputado estadual Marcelo Freixo (PT) entrou com um pedido de abertura de CPI na Assembleia Legislativa (Alerj) para investigar o superfaturamento e aditivos irregulares em contratos celebrados pela Secretaria Estadual de Saúde. Um das denúncias envolve a empresa Toesa Service Ltda, que faz a manutenção das ambulâncias do estado. O contrato, assinado por Cesar Romero, estabelecia que, pela manutenção preventiva de 122 ambulâncias, a Toesa receberia R$ 5.391.126, o que dá R$ 44.189 por cada uma. A Fundação Nacional de Saúde paga R$ 5.794 por cada uma de suas 195 ambulâncias. E o governo de São Paulo, R$ 1.644.

MP [Estadual] investiga contrato da Saúde estadual para manutenção de veículos de combate à dengue
Publicada em 03/05/2010 às 22h37m
O Globo

RIO - O Ministério Público (MP) estadual abriu nesta segunda-feira uma investigação para apurar irregularidades na Secretaria estadual de Saúde, que teria contratado uma empresa para fazer a manutenção dos veículos de combate à dengue com preços superfaturados. Segundo o promotor Leandro Navega, há indícios da cartelização na licitação. A empresa vencedora, a Toesa, receberia por ano quase R$ 5 milhões para cuidar da frota de 111 veículos - cerca de R$ 415 mil por mês. O pagamento foi suspenso em março, após denúncias de um servidor da secretaria. Ele fez as contas e percebeu que, com o gasto de manutenção dos veículos, seria possível comprar toda a frota - e ainda sobraria dinheiro.
- Quando percebi que o valor total da manutenção era o dobro do valor de mercado dos carros, vi que tinha algo errado - disse ao "RJTV", da Rede Globo, José Carlos da Cunha, que é tenente-coronel do Corpo de Bombeiros e pediu exoneração da secretaria.
Na entrevista ao telejornal, ele não mostrou o rosto, por estar sendo ameaçado.
(...)
A reportagem do "RJTV" descobriu outros indícios de irregularidades. A Multiservice, por exemplo, entrou no pregão para cuidar dos veículos, mas só faz manutenção de computadores. Já a ScarRio é especializada em peças de trator. Um dos sócios da empresa disse estar surpreso com a utilização do nome e do CNPJ da ScarRio no pregão.
- Usaram indevidamente a nossa empresa - disse Orlando Galvão ao "RJTV".
O responsável pelas licitações era o subsecretário-executivo da Secretaria estadual de Saúde, Cesar Romero Viana Júnior, que foi exonerado na última sexta-feira. Ele é primo de Verônica Viana, mulher do secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Liberdade de imprensa

Apesar das demonstrações de irresponsabilidade e falta de apuração de uma boa parte da imprensa na cobertura do caso do Dr. Joaquim Ribeiro Filho, nunca questionamos a liberdade de imprensa, mas...

1. Quando os orgãos de imprensa defendem que os responsáveis pelos abusos devem ser processados e punidos posteriormente à publicação, a pergunta que fica é: depois de um linchamento baseado em péssimas reportagens sensacionalistas, com apurações ridículas, como fica o sujeito do linchamento.
Praticamente sua vida pessoal e profissional poderiam ter acabado ali. E parece que não se mediram esforços para que isso ocorresse.


Que tipo de indenização e punição paga algo assim? Quem deve ser punido? O que não deve ser repetido nas coberturas jornalísticas?

2. Vamos ver um caso exemplar:
GLOBO - RJTV 2ª edição - 30/07/2008 - uma das emissoras presentes no momento da prisão. Quem foi o responsável por avisá-las e preparar o espetáculo? Esse irresponsável deve ser processado? (pergunta 1)
"De acordo com o Ministério Público Federal, há casos de transplantados que desembolsaram até R$ 250 mil para receber o órgão na frente de outros inscritos no programa.

Há casos de transplantados? Havia dois casos (2003 e 2007)! Qual deles é O CASO? Foi o Ministério Público que disse isso? Foi a PF? 250mil?
Se não ficar provado isso, quem deve ser processado? (Pergunta 2). Certo: isso é ótimo para linchamentos, não vamos discutir.
Segundo promotores, a lista ganhava nomes de falsos pacientes e o esquema funcionava dessa forma:
- Quando aparecia um fígado disponível para doação, os médicos fraudadores diziam que o órgão não servia para aquele paciente, que, na verdade nem, existia;
- Eles, então, desviavam o fígado para os que pagavam para furar a fila.


Segundo OS PROMOTORES???
Sabemos de UM PROCURADOR que o denunciou e ele se chama Marcelo Miller. O delegado que o grampeou (e o modo como convocou sua equipe - começa em 2008) se chama Giovani Agnoletto.

Essas são as fontes. E eles falaram muito e o que quiseram, enquanto o médico... estava preso (sem ter sido ouvido) e silenciado. Muito ética a conduta desses funcionários de um Estado de Direito! Uma boa introdução ao Direito Processual Midiático.

Mas, a questão fundamental é que a reportagem fala de "pacientes que não existiam"? Na fila de transplantes que nem era controlada pela equipe do médico?
"Os promotores" que disseram uma besteira dessa não tem a mínima idéia de como é feita a lista de transplantes.

3. Na verdade, na lista, não havia pacientes que não existiam, HAVIA PACIENTES MORTOS (100 pacientes), por falta de atualização. Denúncia feita pelo Dr. Joaquim Ribeiro Filho em 28/09/2007 a Sidney Rezende. Lembremos que ele foi preso em 30/07/2008.

Além de 100 mortos, foram quase 200 pacientes que não se cadastraram para a atualização dos exames. A Impresa, a PF e o MPF não tiveram a mínima curiosidade em apontar os responsáveis por isso. Esse silêncio incomoda... (Pergunta 3) Ver: Quatro posts indignados e um grito de justiça!
“Nós temos que garantir a tranqüilidade dos pacientes. Estamos trabalhando para aumentar o controle dentro do processo de distribuição de órgãos e do próprio transplante”, afirmou a superintendente do RioTransplante Hellen Miamuto.

Ver: situação crítica dos transplantes no Rio em 24/11/2009 Mas, na época, era tudo culpa do Dr. Joaquim...

4. Helen Miamoto fala como superintendente do Rio Transplante porque Ellen Barroso (que era de fato a responsável pela Central) estava respondendo a sindicância administrativa por troca de pacientes (em transplante de rins) juntamente com o Hospital Geral de Bonsucesso e o HCF.
A troca foi descoberta quando Maria das Graças de Jesus foi chamada, no fim de abril, para fazer exame no HemoRio. No sistema, constava que ela havia sido transplantada dia 5 de março.

Por que ninguém noticiou isto??? (Pergunta 4)

A troca foi descoberta em abril e os responsáveis só entraram em sindicância em 18/08/2008. Até então, a coordenadora da Central de Transplante e o HGB eram os personagens de destaque de eficiência contra a vilania do médico e sua equipe....
Ver: 19/08/2008 O Dia - Online Rim foi parar na paciente errada

O procurador dizia que o Dr.Joaquim havia sido protegido pela Globo? Estamos vendo...Esta reportagem foi simplesmente assustadora! Foi apenas uma delas!

Há matérias editadas e construídas para transformar o médico em vilão, que omitem sua atuação destacada na luta pelo salvamento de vidas (caso do bebê Arthur). Ver: O jornalismo irresponsável da Revista Época

Há edições hediondas, descontextualizadas, deliberadamente orientadas (gostaríamos muito de saber quais foram as fontes), sinistramente enviesadas. Ver: O jornalismo hediondo da Rede Record

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Veja o que foi dito pelo Dr. Joaquim em 28/09/2007

"Já fomos reintegrados, mas não temos como trabalhar sem condições.

Lá não tem sistema, os exames não estão sendo atualizados, ninguém sabe os telefones do Rio Transplante, as coordenadorias inter-hospitalares foram desativadas, nós estamos 10 meses sem reuniões, as câmaras técnicas não estão constituídas", disse.

"A subsecretaria jurídica tem que trabalhar para o estado, e não para o secretário. Eu sou funcionário público, meus clientes são públicos, e a ação não pode ser parcial dessa maneira, com denúncias falsas."
(Sidney Rezende. Bate-boca na saúde do Rio. 28/09/2007)
Ver: Como funcionava a Câmara técnica do Rio

Veja, ainda:
Matéria de O Globo online 06/08/2008
Segundo a Defensoria Pública:

2) A Câmara Técnica só se reuniu uma vez desde julho de 2006, de acordo com Ordacgy. O defensor afirma que os encontros deveriam ser mensais ou bimensais.

Por que a Polícia Federal e o MPF não foram atrás disso?

O que essas instituições tem a dizer sobre a responsabilidade da Secretaria de Saúde (Sérgio Côrtes) e da Central de Transplantes (Ellen Barroso) sobre 100 mortos e 200 pacientes não encontrados para fazer novos exames, que estavam listados na fila de transplante em 2008, após a prisão do médico?

A chamada para exames que identificou essa incompetência na gestão do transplantes foi uma "jogada para a arquibancada" da Secretaria de Saúde e da Central de Transplantes (Ver: Heliete Vaitsman. O diagnóstico que a mídia não fez). É difícil entender como os jornalistas aceitaram esse jogo sem fazer um mínimo de questionamentos... O linchamento é cômodo para a rotina jornalística? Não há uma linha de crítica sobre a gestão desses senhores por parte da imprensa, da PF e do MPF...

Por que se apontou para o delegado da Polícia Federal e "sua" operação como a responsável por essa descoberta se ela já vinha sendo denunciada diversas vezes pelo médico?

Por que essa determinação em se ouvir apenas um lado dessa história?


Delegados da PF e os procuradores do MPF trabalham para o Estado.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Últimas

1º Ano da Resistência
Um ano de lutas contra o arbítrio!

Recuperamos a entrevista para a BandNews (com Boechat e Rodolfo Schneider) logo após sua saída da prisão.

A parcialidade da Revista Época com Steve Jobs
A diferença com que trataram Steve Jobs, fundador da Apple, seu transplante de fígado e a acusão de "fura-fila"

Procurador participa de linchamento midiático
Investigar ou perseguir? qual é a função da PF e do MPF?
Qual é a opinião do Ministério Público Federal sobre a ação de seus procuradores? A Corregedoria da Polícia Federal poderia observar se o delegado Giovani Agnoletto respeita os protocolos de uma Polícia em um Estado de Direito? A função da Polícia Federal é "grampear geral" e editar ou investigar? (Ver: Ricardo Amaral: "Grampo é uma droga que vicia a polícia")

Crônica de um linchamento anunciado
Como a imprensa embarcou nos procedimentos arbitrários de um delegado da PF e de um procurador do MPF. Fala que eu publico!
Revista Lide - do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro

O que era a Central de Transplantes?
Hellen Miyamoto, superintendente de Atenção Especializada da Secretaria de Saúde do Rio, não dava conta do caos na saúde no Rio de Janeiro, mas respondia, ao mesmo tempo, pela Central de Transplantes.

O que há de novo na série do Dr. Dráuzio Varella?
Dr. Joaquim Ribeiro Filho - 2004/2007
Dr.Joaquim Ribeiro Filho - 2004

Por que o MPF não acatou as escutas do delegado da PF? Quem foi o mais arbitrário nessa história?
Por que eles entraram no caso?

sábado, 26 de setembro de 2009

"adjetivações, especulações e excessos" - desagravo ao Dr. José Camargo

Leiam entrevista do Dr. José Camargo para O Globo ("Idéia de compra de órgão é fantasiosa, diz especialista em transplantes- Publicada em 31/07/2008 às 21h29m
Patrícia Sá Rêgo - O Globo Online
)
Agora, vejam um trecho do que o procurador do MPF, Marcelo Miller, disse sobre essa entrevista a O Globo em 01/08/2008[clique no link para ver a íntegra]:
"A denúncia não imputa aos acusados venda de órgãos, e sim preterição da lista única em sua destinação. De todo modo, a qualificação como fantasiosa da hipótese de compra de órgãos não se coaduna com elementos de prova, inclusive testemunhal, que têm sido colhidos nas investigações, a que não se tem notícia de que o cirurgião José Camargo tenha tido acesso. O direito de opinar é de todos, leigos ou especialistas, mas dos especialistas é razoável esperar maior medida de precaução analítica e de zelo com a linguagem, principalmente com adjetivações, especulações e excessos".

Digitem a palavra "PROCURADOR" no sistema de busca do blog e tirem suas próprias conclusões sobre quem deveria ter tido zelo com a linguagem nessa história toda
Vejam se é o mesmo procurador que disse na Revista Piauí (número 25, outubro de 2008):
“Não excluo até a motivação nobre dos que não querem desperdiçar os órgãos. O problema é que, ao fazer isso, eles transgridem a lei, e isso é crime. É estreito pensar que houve uma motivação axial para o dr. Joaquim e a sua equipe. Ah, ele queria dinheiro! Ah, ele queria prestígio! Não é simples assim.

O procurador está tomando esse cuidado com a linguagem para falar de "vendedores" de órgãos?
Mas, o procurador estava dizendo que havia "elementos de prova" sobre "compra" de órgãos...


Depois de tanto tempo lutando para mostrar os abusos do delegado da PF e do procurador do MPF nesse caso, esperamos que os "bons" advogados do médico (que o procurador tanto menciona) tomem as providências junto à corregedoria do MPF para que se esclareça exatamente "com maior precisão analítica e de zelo com a linguagem" quem cometeu "adjetivações, especulações e excessos" e quem, na verdade, era o especialista nessa história.

Apreciaríamos, muito, uma manifestação pública do Ministério Público sobre as muitas questões levantadas, aqui, a respeito da atuação de seus procuradores no caso do Dr. Joaquim Ribeiro Filho e de sua equipe

P.S.: Do procurador para a Revista Piauí (número 25, outubro de 2008):
Miller disse estar seguro das acusações. “Nunca denunciei com tanta prova, com tanta certeza”, disse.

Estamos vendo... Onde está o "esquema", os "comparsas", a "compra de órgãos"? Nem ele mesmo fala mais disso!

A ação do procurador incomoda mais pelo que silencia: o modo como as coisas são feitas no Rio "onde tudo é meio desorganizado, tem pouca fiscalização, onde a cultura da exceção é a regra", diz ele. É muito eufemismo e condescendência com os "poderosos", não?!. Qual é a responsabilidade da Central de Transplantes e da Secretaria de Saúde do Rio nesse "meio desorganizado" e nessa "cultura da exceção"?

Como diz Heliete Vaitsman: "Quem é generoso com os cruéis acaba sendo cruel com os generosos, diz o ditado."
(Ver artigos de Heliete Vaitsman sobre o caso)


Na verdade, a única certeza que temos é a de que presenciamos um linchamento midiático no qual o procurador foi um dos mais ativos protagonistas. E temos sérias dúvidas: é esse o papel dos procuradores do Ministério Público Federal?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

investigações x perseguições

Ouçam a entrevista abaixo do Dr. Joaquim Ribeiro Filho recuperada, com muito esforço, logo após a sua saída da prisão. O médico respondia a um processo sobre o caso Jaime Ariston de 2003 (no qual foi absolvido no Cremerj por 21x0) e a um processo sobre o caso de Carlos Arraes de 2007

O Dr. Joaquim Ribeiro Filho foi preso por suposta obstrução à investigação porque seu sócio e os médicos de sua equipe buscaram apoio jurídico com o seu advogado (Dr. Paulo Freitas, seu irmão) quando se sentiram intimidados com a presença ostensiva da PF no Hospital do Fundão. Esse apoio jurídico é proibido pela lei?

Todos foram ouvidos pela PF, menos o Dr. Joaquim Ribeiro Filho. Por quê? Por que prendê-lo sem ouvi-lo? (vejam a "justificativa" do procurador). Para acusá-lo sem defesa perante a imprensa?

A PF só entrou no caso poucos meses antes da prisão e não acompanhou o caso desde o começo como pareciam insinuar as matérias dos jornais.

O delegado do caso foi ávido em declarações à imprensa. Acusou o médico de coisas pelas quais ele nem sequer havia sido denunciado. Por que o Ministério Público Federal foi conivente com esse espetáculo se não o denunciou pelos motivos apontados pela PF? Por que não esclareceu que a prisão era por suposta obstrução? Por que fez o jogo do linchamento midiático?

A prisão foi feita para pressionar e intimidar membros da equipe a denunciá-lo? Por que isso não ficou claro desde o começo? Por que chamá-los de "comparsas", de "esquema", de "quadrilha" e fazer "acordos" com aqueles que acusou precipitadamente? Do que chamá-los agora se não tinham nada para denunciar?

O juiz - que autorizou a prisão - tem condições de atuar no processo depois da autorização que concedeu e dos desdobramentos hediondos que trouxe ao investigado? Tem algo a dizer sobre os procedimentos da PF e do MPF na violência que cometeram?

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Por que eles entraram no caso?

O médico passou seis meses sendo acusado de formação de quadrilha, participante de um "esquema" de desvio de órgãos, recebimento de propina, concussão e corrupção passiva, enriquecimento ilícito e até venda de fígado para sabermos que o Ministério Público Federal o acusou, na verdade, de PECULATO E FALSIDADE IDEOLÓGICA. E que ele foi preso por POSSÍVEL OBSTRUÇÃO À INVESTIGAÇÃO, porque ele e os médicos da equipe tinham o mesmo advogado, o que nem sequer é proibido pela lei. Mas quando ele foi preso, não foi isso que o Ministério Público Federal e a PF explicaram aos jornais sedentos de sensacionalismo. Esse encontro entre midía, MPF e PF sem controle de órgãos corregedores dá nisso. UMA MÁQUINA DE LINCHAMENTO.

A máquina de linchamento midiático mostrou sua força. Uns, fazem de conta que não participaram disso e amenizam muito as acusações ao médico. Outros requentam leads mal-feitos e oportunistas de um oficialismo assutador. Escândalo barato!

O Estado policialesco-midiático criado pela ação da PF, no caso, valeu-se de recortes muito seletivos de escutas telefônicas, mas não lhe deram a minima chance de se defender ou exigir um mínimo de provas objetivas sobre aquilo de que o acusavam. Foi preso sem ter sido ouvido. Arbitrariamente!

Os alvos da escuta estavam em que condições? Desafetos? Pessoas sob pressão de longos interrogatórios? Em longas horas em que o médico era acusado o tempo todo em sua frente como se fosse um bandido? Alguém da imprensa teve acesso a isso. A Revista Época publica trechos de gravações, mas não ficamos sabendo quem são seus autores e, mais uma vez, em que condições aquilo foi dito. Mas a PF deve ter dito que era tudo verdade e a ânsia de escândalos fez a sua parte.

Mais uma pergunta: POR QUE A POLÍCIA FEDERAL ENTROU NO CASO DAQUELA FORMA?
Por que não esperar até que a defesa na Justiça Federal se desenvolvesse? Que a investigação e até as escutas ocorressem para que o MPF apreciasse a "qualidade" do "material"?
Resposta:
O médico já havia sido condenado, essa é a verdade! A Polícia Federal não entrou para investigar.

O pedido de prisão foi por "possível" obstrução à investigação. Mas depois de preso e silenciado, a PF e o MPF (e a imprensa) soltaram o verbo com determinação(quadrilha, esquema, enriquecimento ilícito, concussão, desvio e venda de fígado etc). Ele foi acusado de tudo o que se podia imaginar. Recentemente, o procurador (na Revista Piauí) parece ter mudado de posição. Voltamos ao ponto inicial antes da entrada da PF. É difícil de entender.

Fica a questão: QUAL FOI O VERDADEIRO PROPÓSITO DA PRISÃO se o MPF, na verdade, o denunciou por Peculato e Falsidade Ideológica e ele poderia seguir defendendo-se como é de direito (como sempre fez)? Se o MPF fez um acordo (até agora sem explicação) com o aqueles acusados de "formação de quadrilha"?

Não achando provas objetivas para incriminá-lo, bastava prendê-lo e vazar escutas seletivamente escolhidas a pronta entrega para as manchetes e dar muitas, mas muitas, "declarações". Além disso, vazar documentos apreendidos na casa do médico para as imagens e edições de TV(queremos muito que se faça logo uma perícia nesses documentos vazados à TV Record e seu jornalismo hediondo).

Sempre assim, a mídia entra sempre com os seus: "o delegado ou a PF disse". E eles abriram o verbo incansavelmente. Fato consumado. Era o que pensavam...

Ver: Élio Gaspari "PF insiste no autoesculacho" (12/4):
A Polícia Federal sabe que não deve vazar informações de inquéritos, muito menos documentos que não querem dizer nada. Admita-se que uma compulsão exibicionista estimule até mesmo fotografias de objetos de uso doméstico de diretores da Camargo Correa, como um horrível cortador de charutos. Daí a se transformar um documento oficial e legítimo em veículo de suspeita vai enorme distância.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Sobre o blog

Caros companheiros e leitores dessa luta em defesa do Dr. Joaquim Ribeiro Filho e dos competentes profissionais da sua equipe.

Algumas explicações:
Este blog tem algumas limitações nos posts por medida de segurança. Eles passam por uma espécie de filtro dos administradores.

Sabemos que isso retira algumas das importantes características de um blog - que é a interatividade e o debate que ele pode permitir entre os participantes - mas, dadas as circunstâncias truculentas enfrentadas pelos médicos da equipe, precisávamos tomar todo cuidado possível.
Lembrem-se de tudo o que eles passaram!

Não podíamos dar margem alguma para novas e questionáveis intervenções do delegado da Polícia Federal e do procurador do Ministério Público Federal responsáveis pelo caso.

O blog foi montado sob o signo do medo, da arbitrariedade, da truculência, do linchamento midiático...e da nossa revolta, indignação e determinação na resistência. Era preciso dizer tanta coisa, com tanta dor e... raiva... Nossa revolta e indignação tiveram de ser determinadas, mas controladas, contidas e, mesmo, sufocadas em determinados casos. Queríamos falar antes de tudo sobre procedimentos a serem adotados no Estado de Direito, queríamos falar de Justiça. Queríamos falar de profissionalismo, de luta pela vida e de todos os problemas complexos que se colocam nessa luta.

Publicamos apoios, informação e, sobretudo, perguntas...perguntas que as autoridades e a imprensa envolvidas no caso nunca tiveram disposição para investigar e apurar.

Estaremos sendo monitorados? Invadiram a privacidade dos organizadores do blog (seus nomes não são revelados), dos seus familiares e amigos em uma busca desesperada para "arrasar" o Dr. Joaquim? Quando será feito o próximo "vazamento" de imagens e informações totalmente fora de contexto? Qual será a próxima "portaria" contra o médico a ser derrubada na Justiça? Até quando computadores e documentos dos médicos ficarão em poder da PF? Serão devolvidos antes daqueles apreendidos na casa do delegado Protógenes - que, por sinal, demonstrou indignação semelhante à nossa e teve grande espaço na imprensa)? Ações desse tipo não nos deixam longe da paranóia...

Talvez, seja difícil mudar essa marca de origem do blog. Por isso, pedimos aos colaboradores e leitores que perdoem o uso de alguns filtros. Caso se sintam "censurados" de alguma forma, por favor, queiram deixar um e-mail para contato e, assim, poderemos explicar os possíveis motivos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O crime e a imprensa nas palavras do procurador (artigo escrito em 2006)

(trechos do artigo encontram-se no final do post)

Gostaríamos que o procurador escrevesse um novo artigo sobre o papel da imprensa no caso do Dr. Joaquim Ribeiro Filho e apontasse os avanços que ajudou a realizar na relação entre a imprensa e as fontes policiais e o que fez para diminuir a superficialidade com que é tratada a justiça criminal na mídia (ver trecho do artigo do procurador de 2006, abaixo).

Gostaríamos que fizesse uma análise documentada das manchetes, das denúncias lançadas a todo momento pelas "fontes policiais" e publicadas sem qualquer esforço de apuração pelas redações, das manchetes inverídicas, dos ocultamentos de informação (ver perguntas sem respostas)

Gostaríamos que documentasse a total exclusão de depoimentos de pacientes a favor do médico, o vazamento do conteúdo das escutas fora de contexto feito aos jornais (sem que o médico sequer fosse ouvido para contradizê-los na denúncia), a profunda confusão sobre o que é um sistema de transplantes, os critérios da fila e o que vinha sendo a perseguição realizada pela Central de Transplantes do Rio. Por que demoraram tanto a "regularizar a fila"? O que ocorreu com cerca de 200 pessoas "desaparecidas" da lista? Alguma autoridade resolveu investigar? A imprensa preocupou-se em apurar?

Gostaríamos que o procurador abordasse, também, a total inoperância das autoridades fiscalizadoras com relação à "situação "meio desorganizada"" (sic) do sistema de transplantes no Rio (tudo o que a Central diz é publicado sem questionamento), que abordasse a total desconsideração da defesa que o médico já vinha fazendo na Justiça, que se posicionasse - publicamente - sobre o vazamento de documentos apreendidos na casa do médico para o jornalismo hediondo montar suas matérias absurdas (quem foi o responsável por isso?). Nesse caso, gostaríamos de saber como reagiriam os policias federais - ver o caso do delegado Protógenes- e os procuradores se isso ocorresse com eles.

(O crime e a imprensa - Marcelo Miller)
Revista ANPR Online - número 2 - julho/outubro 2006 (para ver a íntegra, clique no link)
(...)É verdade que as instituições encarregadas do combate ao crime têm um longo caminho a percorrer no aperfeiçoamento de seu diálogo com a imprensa. Elas ainda confundem discrição com introversão e precisam resistir à tentação de confundir comunicação social com propaganda. Também é verdade que a imprensa poderia ajudá-las com um esforço ampliado de compreensão do papel de cada uma no sistema de justiça criminal e do funcionamento do próprio sistema em seu conjunto. O balanço das operações da Polícia Federal publicado pelo Jornal O Globo em 12/11/2006 reflete essas verdades ao fazer um alerta importante, mas sem dois dados essenciais: nem as operações da Polícia Federal são exclusivas da Polícia Federal, pois são controladas pelo Poder Judiciário e pelo Ministério Público, nem os processos judiciais são realidades apartadas do que a investigação policial consegue apurar.

Esse balanço é apenas um exemplo do modo e do tom que têm prevalecido na cobertura jornalística dos problemas de segurança pública. Um estudo sobre mídia e violência desenvolvido no ano passado pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes (clique no link) confirma o que uma leitura atenta sinaliza: a imprensa é altamente dependente de fontes policiais e trata o sistema de justiça criminal de maneira superficial.
(...)
Uma abordagem jornalística do problema da segurança pública ao mesmo tempo mais sofisticada e mais combativa, em que as disfunções do sistema de justiça criminal deixem de ser tratadas como exceções e seus êxitos sejam recebidos com ceticismo e ponderação, em que não haja, enfim, afinidades eletivas nem escolha de heróis e vilões, poria a imprensa mais perto do papel destacado que ela desempenhou, por exemplo, nas discussões sobre o combate à inflação e a responsabilidade fiscal. O Brasil agradeceria mais uma vez.


Ver: Marcelo Beraba. Nas mãos da Polícia - Folha de S. Paulo27/02/2005

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Perguntas ao procurador

Se o caso do Dr. Joaquim e sua equipe "não é tão simples assim", como diz o procurador na reportagem abaixo, e sabendo que o médico já havia demonstrado sua inocência diversas vezes na Justiça e no Cremerj, por que mandar prendê-lo?

Quem chamou sua equipe de "quadrilha" e os médicos de "comparsas" e quem fez um "acordo" repentino e inexplicável com os médicos "comparsas" e "quadrilheiros"? Um acidente de automóvel poderia ter sido punido com mais rigor que o utilizado contra os supostos membros da "quadrilha". Estranho, não?!

"Se o dr. Joaquim fosse um qualquer, certamente estaria preso, arrasado, mas é alguém com muita influência, com muitas relações”. Pois, então, diga, sr. procurador: quais são essas relações e o que elas fizeram pelo Dr. Joaquim? Ter um bom advogado é uma delas?! O procurador adoraria se fosse um mau advogado, pelo jeito! Ele teve seu habeas-corpus reconhecido por unanimidade no TRF. Quais são as relações do Dr. Joaquim e seus advogados com os desembargadores? Seria importante que o procurador dissesse com todas as letras! E, por dever de profissão, provasse o que fala!!!

O delegado da PF fala em uma ação para beneficiar o médico, mas porque o procurador não usou isso em sua denúncia? Ele mesmo diz: não havia provas. (Ver: Abafar o quê?!)

Segundo ele, a Globo protegeu o médico a pedido da família Arraes. Então vejam o absurdo que o RJTV mandou ao ar e que aproveitadores fizeram questão de colocar no Youtube para atacar a honra do médico. A Globo deveria ficar arrependida da matéria que colocaram no ar. Coisas sem sentido, coisas de quem não tinha a mínima idéia do que é uma lista de transplante.

Acreditamos que o procurador deve ter adorado as reportagens "extremamente corretas" do jornalismo hediondo da Record. Gostaríamos de saber quem enviou as imagens dos documentos apreendidos na casa do médico e mostrados na televisão. Edições "armadas" (o pacto da truculência midiática), como denunciamos.

A secretaria de saúde do Rio e a central de transplantes não teriam nada contra ele. Por isso, foram incansáveis na tentativa de retirá-lo do transplante com portarias arbitrárias derrubadas na Justiça. Já que foram tão determinados na investigação contra o médico, a secretaria já têm o resultado da troca de pacientes em transplante de rim autorizado pela Central de Transplantes? O HGB já foi citado? O Ministério Público Federal e a Polícia Federal estão interessados?

“É evidente que é melhor implantar o fígado em alguém do que ele não ser aproveitado. Nesse caso, no entanto, não temos certeza de que o órgão iria para o lixo. Não sabemos se ele foi oferecido para todo mundo."(Helen Myamotto - coordenadoria do Rio Transplante). O certo seria esperar a câmara técnica que nunca se reunia e a "eficiência" do Rio Transplante denunciada em O DIA? (Ver: "Algumas perguntas sobre a Câmara Técnica e a Central de Transplantes")

Por que o procurador quer investigar alguém que, segundo ele, fazia o que queria no transplante porque no Rio "tudo é meio desorganizado" (palavras e eufemismos seus) e não investiga os responsáveis pela desorganização? Quem causa mais prejuízo à saúde pública e à vida das pessoas?
Agora, nem o procurador acredita que sejam uma "quadrilha"... É realmente curioso... (ver reportagem abaixo)

O médico foi ouvido em 2005 sobre o primeiro caso?! Recebe nova acusação, é alvo de escutas e não pode mais se defender. O que o procurador está dizendo? Mande prender, então?! Caso resolvido?!Pois, se fosse pelos autos do primeiro caso, ele estaria absolvido e não sendo alvo de perseguição como essa! É clara a insatisfação do procurador em não conseguir vê-lo "arrasado"... Seria muito melhor se ele não tivesse "boas relações" (que alguns, também, costumam chamar de Justiça).

Quem parece ter ajuda implacável e "relações" foram o procurador e o delegado, que tiveram a mídia toda à sua disposição para publicar tudo o que dissessem e um pouco mais. Isso são relações!!! Relações que um bom jornalista teria muito cuidado em manter! (Uma pergunta: quem chamou a mídia para registrar com detalhes a prisão e preparar o espetáculo para o jornalismo hediondo?)


Ribeiro sabia que estava sendo investigado. E, apesar de ter enviado duas petições pedindo para depor no processo, a polícia não quis ouvi-lo, mesmo tendo interrogado todos os médicos de sua equipe, pacientes e várias outras testemunhas. A seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil emitiu uma nota dizendo que a PF cometeu uma falta que poderia provocar a anulação do processo. “Ele foi ouvido em maio de 2005 sobre o caso Ariston, não precisava falar de novo”, disse o procurador Marcello Miller.
(...)
No seu gabinete, no centro do Rio, o procurador Marcello Miller comentou as diferenças entre um e outro ponto de vista, e as relacionou com as atitudes de Joaquim Ribeiro. “A mim não interessa se o critério da fila é certo ou errado, se tem que ser mudado ou não”, disse ele. “Não excluo até a motivação nobre dos que não querem desperdiçar os órgãos. O problema é que, ao fazer isso, eles transgridem a lei, e isso é crime. É estreito pensar que houve uma motivação axial para o dr. Joaquim e a sua equipe. Ah, ele queria dinheiro! Ah, ele queria prestígio! Não é simples assim. No caso deles, começou com uma atitude respaldada pela realidade do Rio, onde tudo é meio desorganizado, tem pouca fiscalização, onde a cultura da exceção é a regra. E assim eles foram ampliando a ação, sentindo-se donos da coisa. Quando se viu, eles estavam fazendo o que queriam com os fígados.” Miller disse estar seguro das acusações. “Nunca denunciei com tanta prova, com tanta certeza”, disse. “Se o dr. Joaquim fosse um qualquer, certamente estaria preso, arrasado, mas é alguém com muita influência, com muitas relações”, afirmou. O procurador aludia ao fato de o irmão e advogado do médico, Paulo de Freitas Ribeiro, ter entre seus clientes, bancos, como o Fonte-Cindam, de Salvatore Cacciola, empresas de telefonia e a própria Globo.
(...)
Em uma tarde de setembro, a nova coordenadora do Rio Transplante, Hellen Miyamoto, que assumira o cargo um mês antes, respondeu ao repto de Ribeiro: “É evidente que é melhor implantar o fígado em alguém do que ele não ser aproveitado. Nesse caso, no entanto, não temos certeza de que o órgão iria para o lixo. Não sabemos se ele foi oferecido para todo mundo. O que consta é que o dr. Joaquim disse que iria buscar o fígado para o primeiro paciente do Fundão, e não para um particular. Com isso, o órgão deixou de ser oferecido a outras equipes. Pode ser que algum outro hospital pudesse ter dado um jeito de pegar o órgão.” (Revista Piauí. outubro 2008)

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Será que vão mandar prendê-lo para não atrapalhar as investigações?

Realmente, é uma situação constrangedora a que está passando o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiróz. Com certeza, é um profissional dedicado e vocacionado. É um profissional que acredita na Justiça. Acredita que agiu corretamente e com determinação diante do que considerava ser uma 'falta de apoio' ao seu trabalho.

Ficou indignado com a exposição a que seu filho e esposa foram sujeitados.
Não tem se calado, certo?!
Considera-se perseguido.
Teve seu sigilo telefônico quebrado?
Ele quer ter o direito a saber o teor da investigação que fazem contra ele, não?!
Teme ser denunciado sem saber do que o acusam...
Nada mais justo!
Chamou de "picaretagem" o relatório do delegado da Corregedoria da PF.
Considera-se um homem correto, mas todos estamos sujeitos a investigação e ao direito de se defender, não é mesmo?!

Pois saibam que o Dr. Joaquim Ribeiro Filho tem passado pela mesma coisa e não é nem mais nem menos que o delegado da polícia federal Protógenes Queiróz. Nem mais, nem menos! Nem mais, nem menos que qualquer outro cidadão que vive em uma sociedade democrática.

Ambos tem convicções e uma história pela qual zelam. Ambos gostariam de ver um país melhor e lutam por isso. Ambos, cada um em sua área, não se contentam com a situação que o país vive.

Há sempre alguém disposto a investigar e impedir o trabalho de pessoas assim, não?!
Esperamos que o delegado tenha o direito de se defender e possa esclarecer todas as dúvidas levantadas. Esperamos que ele não seja preso antes de poder fazer isso!


Defesa de Protógenes vai solicitar íntegra do inquérito sobre Satiagraha
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília


A defesa do delegado Protógenes Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha, vai solicitar à Polícia Federal a íntegra do inquérito que investiga supostos excessos cometidos pelo policial durante as investigações. Advogados de Protógenes querem ter acesso aos autos diante da possibilidade do delegado Amaro Vieira Pereira, que apura vazamentos da operação, pedir o indiciamento do policial.


PF entra na casa de Protógenes e apreende bens do delegado
São Paulo - Agência Estado


O delegado Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha, tornou-se ontem alvo da própria Polícia Federal (PF), órgão da qual faz parte há nove anos. Pouco depois das 6 horas da manhã, Protógenes foi abruptamente despertado por uma equipe de agentes e delegados federais, munidos de mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Os policiais vasculharam o apartamento de Protógenes, no centro da capital paulista, uma das residências do delegado. A PF não divulgou informações sobre o que buscava, mas suspeita-se de que os policiais procurassem possíveis provas ou indícios de que o comandante da Satiagraha teria vazado informações sigilosas da operação ou de que teria patrocinado escutas telefônicas ilegais.

A PF levou o computador pessoal do delegado. Também foram recolhidos o rádio e o celular de Protógenes. Outras equipes da PF, simultaneamente, fizeram blitz em outros dois endereços de Protógenes, em Brasília, e no Rio de Janeiro (onde mora o filho dele, Felipe, de 21 anos). Também nesses locais foram recolhidos pertences e equipamentos do delegado.

Protógenes é alvo de inquérito da própria PF que investiga o vazamento de informações sigilosas da operação que ele próprio criou para esmiuçar a vida e as atividades empresariais do empresátio Daniel Dantas, dono do Grupo Opportunity.

O inquérito, presidido pelo delegado Amaro Lucena, corregedor da PF, apura ainda suspeita de grampos telefônicos ilegais. Além de Protógenes, são investigados agentes de sua equipe que também sofreram busca e apreensão por ordem judicial.

No fim da tarde, bastante chocado, Protógenes dirigiu-se à sede da Procuradoria da República, disposto a obter mais informações sobre os motivos pelos quais é investigado. O cunhado dele, o advogado Fernando Alfonso Garcia, declarou que Protógenes se indignou muito com a busca realizada na casa onde mora o filho, no Rio.


Protógenes afirma que não violou sigilos para a imprensa
Folha de S. Paulo11/11/2008 A6

" 'Eu sabia desde o início, quando abriram a investigação, que iriam me acusar. Coincidentemente, a investigação foi aberta depois que eu representei contra a cúpula da Polícia Federal, na Justiça Federal e na Procuradoria da República, as denúncias sobre as condições de trabalho que enfrentei durante a Satiagraha', afirmou o delegado"


Diretor da Abin diz não saber por que é alvo
Folha de S. Paulo 11/11/2008 A4


"Na semana passada, agentes apreenderam em sua casa dois microcomputadores e um laptop, todos de 'uso pessoal' segundo ele. 'Um era de uso da minha mulher, outro da minha filha, além de um laptop de trabalho da minha mulher, que é médica', afirma. (...)
Não tive acesso à investigação. Preciso saber o que há contra mim. Por enquanto, afirmo que sou totalmente inocente.

O funcionário da Abin reclama que a ação da Polícia Federal lhe causou constrangimento perante a família dele."

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Algumas perguntas...

Jornal O DIA 01/11/2008 00:49:00
Fim da esperança de doar

Após uma semana, coração de rapaz com morte encefálica pára e órgãos não podem ser aproveitados

Vejam o que foi dito pela Defensoria Pública em 16/08/2008:
"Ainda que não tenha havido irregularidade criminal, o sistema se mostrou bastante frágil e suscetível a fraudes", disse Ordacgy (...) Segundo ele, as recomendações serão encaminhadas na próxima semana para o Ministério da saúde e para a Secretaria Estadual de Saúde, que terão até o fim de setembro para apresentar soluções. "Se não, poderemos entrar com ações civis públicas", diz o defensor.[André Ordacgy - defensor público da União]. Defensoria pede mudanças no serviço de transplantes do Rio. Folha de S. Paulo 16/08/2008 C4]


Era essa a Central de Transplantes que desqualificava o diagnóstico dos médicos da equipe do Dr. Joaquim? Quantas pessoas pobres foram salvas e eles só se concentravam nos casos que vimos no espetáculo de linchamento midiático?

Era a mesma Central que impedia a realização de transplantes (como o caso da pobre lavadeira da Baixada Fluminense, Jânia Gomes) por sempre questionar o procedimento do Dr. Joaquim Ribeiro?

A mesma Central que disse que os órgãos deveriam passar por avaliação de uma Câmara Técnica da Cental de Transplantes? Se nem conseguem, em uma semana, realizar a retirada dos órgãos de um doador (apesar de toda a vontade e determinação da família em fazer a doação)!!!
Veja o que dizia o Dr. Joaquim Ribeiro Filho em 25/04/2007 (Sistema Falho) e 04/07/2007 sobre a falta de estrutura para transplantes

A Central que tinha na lista de transplantes mais de 100 pessoas mortas e não atualizava os exames (conforme denúncia do Dr. Joaquim)? Algúem parou para perguntar como estão os exames hoje? (ver como calcular o Meld)

Foi baseado nas denúncias dessa Central de Transplantes que se justificou a truculência da Polícia Federal e do Ministério Público Federal contra o médico? O que eles tem a dizer sobre os absurdos que estamos vendo? Eles trabalharam em algum momento com a presunção de inocência? Pois ela pressupõe o contraditório! Era justificada? Por que não se transformou em uma operação verdadeiramente voltada para o esclarecimento de questões que envolvem a situação dos transplantes e dos hospitais no Rio de Janeiro? Qual foi a grande contribuição de um operação truculenta como essa para a Saúde Pública? Quanto custa uma operação policial desse tipo e no que ela resultou de benefício público?

Por que só o jornal O DIA publicou matéria sobre o desperdício de órgãos ? Por que o nome dos responsáveis não são citados? O que ocorreu de fato? Qual foi o resultado da sindicância iniciada contra a ex-coordenadora da Central de Transplantes do Rio no caso de troca de pacientes em transplante de rins?

Que tipo de interrogatórios e escutas foram essas feitas pela Polícia Federal que deixaram tantas lacunas e mostraram, no mínimo, um desconhecimento sobre a situação do transplante (em particular, no Rio de Janeiro)? Por que a ânsia do Ministério Público Federal em prendê-lo se tantas questões importantes para a Saúde Pública do Rio vinham sendo colocadas justamente por aquele que estavam investigando? Será que perderam a noção do que significa mandar prender alguém? (vejam nossos comentários sobre as declarações do procurador e do delegado da PF)

E a preparação do espetáculo midiático, a quem coube?
De quem partiu as denominações calhordas espalhadas pela imprensa?
Quem alimentou o jornalismo hediondo, a falta de contraditório, a sede de sensacionalismo, a omissão de informação, a falta de apuração?
Quem chamou a equipe e o Dr. Joaquim Ribeiro Filho de "quadrilha", suas ações para salvar vidas de "esquema" e de beneficiários de "propinas". Avaliem com cuidado de onde partiram as denúncias e as "novas frentes de investigação" das quais ninguém mais fala.

Qual será a nova "operação" que montarão contra o médico?
Quem são os verdadeiros "fura-filas" nessa história?


Justiça!

Ver: São Paulo e a Câmara Técnica

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Entre a indignação e o cansaço

Foi com esse título que Sylvia Moretzsohn, professora de jornalismo da UFF, comentou o artigo de Helite Vaitsman sobre o caso do Dr. Joaquim para o Observatório da Imprensa.

Destacamos, abaixo, uma pequena parte da dissertação da professora Sylvia Moretzsohn sobre a relação entre a velocidade e o trabalho jornalístico. A dissertação é de 2000.

Perguntamos: A defesa da liberdade de imprensa, na verdade, não está servindo apenas para a permissividade e uma total acomodação ao que está acontecendo? Não estamos traindo o espírito da liberdade de imprensa, tratando-a como uma simples liberdade de mercado para publicações, no qual a concorrência, a velocidade, a audiência e a venda são os juízes? No final, se houver erro, culpem-se as fontes de sempre!

Será que a questão está no fato de que o valor das indenizações estão compensando esse procedimento? Será que os jornalistas gostariam de ser tratados como "casos de polícia" como foi o Dr. Joaquim Ribeiro Filho? Será que precisarão ser alvo de ações da Polícia Federal para que cumpram minimamente a ética profissional (quando não os seus próprios manuais de redação)? Seria pedir muito que entendam minimamente do que falam ou que tenham assessorias de apoio nas redações? E que não sejam assessorias de imprensa! Ou, que não sejam apenas assessorias de imprensa...

Vejam um pequeno trecho da dissertação da pesquisadora Sylvai Moretzsohn:

"Mais importante que perceber como o erro pode ser facilitado pela competição é ver como essa disputa favorece o alarme em vez do esclarecimento, como no exemplo a seguir:
Ela [a competição] às vezes nos obriga a divulgar as coisas apressadamente, obrigando-nos a desmenti-las posteriormente. Ela pode encorajar o erro em um lead, não justificado pelo resto da matéria, resultando em puro sensacionalismo. Lembro-me das manchetes que ocuparam toda a primeira página do New York Post durante o alarme nuclear de Three Mile Island em 1979. A primeira dizia: “Nuvem nuclear se espalha”. A segunda, no dia seguinte, era: “Vazamento escapa ao controle”. No terceiro dia, a manchete foi: “Corrida contra o desastre nuclear”. E no quarto: “Situação melhora” [245] .


Neuman, porém, não enxerga aí uma consequência lógica da rotina de competição: considera o caso um desvio, um “abuso”, um exemplo flagrante “de jornalismo barato, que explora o medo” - afinal, tratava-se de um jornal sensacionalista. O próprio Neuman, no mesmo caso, comportou-se de modo diverso:
Durante o episódio de Three Mile Island veio um boletim da UPI citando um porta-voz da Nuclear Regulatory Agency que teria dito: “existe o risco final de um derretimento”. Eu deveria ir ao ar, interrompendo a programação normal - fazendo o que se chama de interrupção da cadeia - e dar a notícia. Eu olhei para o boletim, decidi que não sabia qual era o seu significado e sugeri ao diretor de jornalismo da NBC que esperássemos. Ele concordou. (...) Depois de muitas dificuldades, conseguimos algumas informações sobre o significado de um risco final de derretimento. Significava muito menos do que se poderia ter pensado. Quando fui ao ar, estávamos em condições de dar a notícia em perspectiva. Era muito menos atemorizadora do que parecera a princípio. Mas, naturalmente, fomos a terceira emissora a divulgá-la [246] .

A prudência talvez tenha sido resultado da fonte originária da informação imprecisa e alarmista: um boletim da UPI, embora citando fonte oficial. Quando o contato com esse mesmo tipo de fonte é direto, a história muda:

Nós fomos criticados pela cobertura que fizemos do atentado contra Reagan porque divulgamos alguns dados incorretos e porque continuamos a transmitir apesar das informações serem relativamente escassas.

Dois pontos: nós tínhamos que continuar transmitindo. Alguém havia atirado no presidente. Algumas das pessoas que o cercavam tinham sido atingidas. Em tais circunstâncias, não se pode deixar de transmitir.

Mas então nós dissemos que o presidente não havia sido ferido. Isto provou-se ser um erro. O que fazer? A resposta é que esta informação veio da Casa Branca. Nós não a inventamos. Depois veio o anúncio de que James Brady, o secretário de imprensa da Casa Branca, havia morrido. Novamente, a primeira notícia veio de alguém da Casa Branca. Nós não tínhamos outra escolha a não ser divulgá-la [247]
.

Vários estudos já demonstraram o quanto as fontes oficiais mentem [248]. No entanto, o mais significativo aqui não é verificar que, apesar disso, e apesar do número de vezes que a história se repete, as fontes oficiais continuem a ser acreditadas sem mais questionamentos. O principal é entender que, sob pressão, a fonte é instada a dizer alguma coisa, qualquer coisa, para “alimentar o sistema”. Em consequência, tanto podem ocorrer erros (como aparentemente foi o caso no exemplo citado acima) como, o mais grave, a divulgação proposital de informações incorretas ou francamente falsas, exatamente porque as fontes conhecem as rotinas de produção e sabem que, nessas circunstâncias, o que for dito será veiculado.

A propósito, Schudson observa que, “quanto mais a mídia enfatiza o imediatismo das notícias, mais os jornalistas estão sujeitos à manipulação das fontes” [249] . Considerando que o imediatismo está incorporado às rotinas de produção, a sempre condenada subserviência dos jornalistas à palavra da autoridade não é simples de superar. Por isso, questionado a respeito, o repórter Caco Barcellos preferiu apontar o problema na própria estrutura competitiva dos meios de comunicação, mostrando como é difícil adotar coletivamente uma atitude crítica no cotidiano da profissão:

...eu não sei se isso [a subserviência] é consequência da pressão a que o repórter é submetido, a pressão industrial até, porque é complicado você duvidar sempre da polícia. Eu me sinto um privilegiado, eu posso duvidar, não que o outro não possa, mas porque eu tenho mais tempo para apurar. E nem todo repórter tem esse privilégio que eu tenho. O camarada pode sair da redação precisando fechar duas matérias. Ele vai duvidar de tudo que é delegado que cruzar na vida dele? Isso só vai derrubar a matéria. Pra mim é relativamente confortável falar: “Não, tem de duvidar sempre”. Mas eu tenho tempo pra duvidar, eu posso apurar. Se o teu chefe está lá cobrando, e você está começando na profissão - e hoje as redações estão cheias de profissionais inexperientes -, como “bancar” um chefe, dizer que não tem a matéria, se no dia seguinte o concorrente pode dar com todo o destaque aquilo que o delegado passou pra ele? Haja peito pra segurar essa barra. É complicado [250] .

Como e por que alguns repórteres conseguem prestígio a ponto de obter esse “privilégio” de poder trabalhar corretamente enquanto a maioria se desdobra em várias pautas por dia é um assunto que merece pesquisa específica e foge aos objetivos deste trabalho. Importa aqui o depoimento, que dá conta de uma realidade dura. Mas importa igualmente perceber que a subordinação à palavra da autoridade raramente é inocente: em geral a urgência surge como justificativa para isentar a imprensa de responsabilidade ou mesmo conivência na divulgação de notícias sem fundamento, atribuindo-se toda a responsabilidade à fonte, especialmente se oficial."

Ver:A velocidade como fetiche – o discurso jornalístico na era do "tempo real"
Sylvia Moretzsohn, Universidade Federal Fluminense

(tese de mestrado, 2000)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Nota de apoio - vereador Eliomar Coelho

NOTA DE APOIO E SOLIDARIEDADE AO DOUTOR JOAQUIM RIBEIRO FILHO E À EQUIPE DE TRANSPLANTE DE FÍGADO DO HOSPITAL DO FUNDÃO


Em solenidade realizada no dia 22 de agosto de 2003, no auditório do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, entreguei ao Doutor Joaquim Ribeiro Filho a Medalha Pedro Ernesto, condecoração concedida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em virtude da importância social de sua luta para construir nesta cidade o primeiro serviço de transplante de fígado dentro de um hospital público, o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, que passou a ser considerado um centro de referência mundial nessa atividade.

A perseguição política à luta desses médicos já começava naquela época. E ela foi crescendo porque um trabalho dessa envergadura, tendo a frente um cirurgião conceituado no Brasil e no exterior e dedicação ao serviço público, esbarra em muitos obstáculos, como por exemplo, as deficiências do sistema de saúde, a lentidão da burocracia e a incompetência ou interesses contrariados de autoridades.

Diante dos novos acontecimentos volto agora a me manifestar publicamente para reiterar o meu apoio à luta desses médicos e a minha solidariedade, especialmente ao Doutor Joaquim Ribeiro, que foi vítima de uma truculenta operação de forças repressivas do Estado. Foi preso e teve sua honra massacrada pela imprensa sem que lhe fosse dado nem sequer o direito de prestar depoimento no inquérito, mesmo tendo solicitado oficialmente. O delegado não o ouviu e nem mesmo o procurador encarregado do caso. As investigações já duram cinco anos e não provaram nada.

Não podemos aceitar que um aparato policial que busca provas de supostas irregularidades na fila de transplante de fígado faça invasões a um hospital público, com homens encapuzados, portando fuzis, amedrontando médicos e pacientes, como se deu no Hospital Clementino Fraga Filho no período mais recente da investigação. Não podemos aceitar que mais de vinte policiais fortemente armados, apoiados por várias viaturas e um batalhão de repórteres invadam às seis horas da manhã a casa de um médico que já fez mais de quatrocentos transplantes e centenas de cirurgias para salvar vidas, principalmente de pessoas pobres. Um médico que, dedicado ao serviço público, em todos esses anos não acumulou nenhuma riqueza.

Todo o trabalho para criar um centro de medicina especializado e de alto nível num hospital público, assim como a reputação de seus médicos, foram da noite para o dia deslegitimados diante da opinião pública. Os danos morais que atingem os médicos se estendem aos seus familiares. E, desastrosamente, repercutem sobre as campanhas de doação de órgãos. Vamos exigir que haja a reparação de todos esses danos por parte dos responsáveis e envolvidos nessa ação arbitrária do aparato policial e da mídia.

Vamos solicitar que o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro se pronuncie, vamos pedir que os sindicatos dos médicos se posicionem, que a OAB e a ABI se manifestem – como fez o Grupo Tortura Nunca Mais – sobre as irregularidades do processo e sobre a irresponsabilidade e sensacionalismo com que a imprensa tratou o caso.

Estamos juntos nessa luta!

Que todo apoio e solidariedade ao Doutor Joaquim Ribeiro Filho seja enviado para o blog: www.transplantevida.blogspot.com.


ELIOMAR COELHO - PSOL

Vereador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro

sábado, 30 de agosto de 2008

Contra o jornalismo hediondo da Record (II)

Por que, agora (29/08/2008), o Jornal da Record(clique no link para ver a montagem feita pelo canal) produz uma matéria hedionda sobre o caso. [Agora, a Rede Record retirou o link da matéria hedionda da Internet- constatado em set/2009]
Uma série de ilações, insinuações, alegações sem a versão do denunciado (Pergunta: vale a pena participar ou responder a um tipo de jornalismo como esse?!). Documentos pinçados "cuidadosamente", alinhados e editados como foram todos os casos denunciados!

"Nova denúncia 'complica' a vida do médico?"
Mas já não tinha havido uma "nova denúncia" que já havia "complicado" a vida do médico anteriormente? Por que ninguém fala mais dela?

Podem falar de quantas "denuncias" forem! A questão é que um caso assim não se resolve na frente da tela da TV com repórteres que só pensam no espetáculo e que não seguem trâmites mínimos do direito processual!Fala quem quiser, o que quiser, a partir das "impressões" que os jornalistas publicam antes de checar!

A operação do paciente foi feita logo depois da organização da fila? [com pacientes questionando a sua mudança de posição na lista - Erro afasta coordenadora da Central de Transplante do Rio. Sim, ela mesma, aquela que sempre contestava o trabalho da equipe do Dr. Joaquim e era sempre usada como fonte!Vejam nesta mesma reportagem da Bandnews: A paciente que estava em 1º lugar na fila antiga passou para a posição 166. Como ela deve estar se sentindo? Como a família reagiria se suspeitassem que furaram fila?]

Mas esta família sabia que o Dr. Joaquim denunciou a não atualização dos exames dos pacientes na lista de transplante na frente do próprio subsecretário jurídico e de corregedoria da Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro, Pedro Henrique de Masi Pinheiro? E que se alguém tivesse tomado uma providência naquela época, o transplante desse senhor já teria ocorrido, muito provavelmente. Quais serão as medidas do Ministério Público Federal com relação a ele? Veja a declaração do Dr. Joaquim em 1.1.2008:
Nós estamos acompanhando a paciente desde o início. Ela [Jânia Gomes]não deveria estar na posição 253. Provavelmente, ela estaria na posição 20, 25. Isso porque eles não estão atualizando os exames. Esse sistema de gravidade é dinâmico. Independente disso, nós, como médicos, temos o dever de colocarmos um órgão em um paciente que seja compatível?, protestou Ribeiro. Sidney Rezende. Rádio CBN 1.1.2008
(ver o caso de Jânia citada na matéria acima - no Domingo Espetacular pelo mesmo apresentador ou Jornal Nacional e manchete de O Dia).

O transplante foi feito no HGB, Hospital Geral de Bonsucesso?
Aquele de onde partiu a primeira denúncia contra o dr. Joaquim (caso de Jaime Ariston)?
Aquele que fez exames na paciente errada no transplante de rim recentemente noticiado nos meios de comunicação?
Aquele que é um exemplo de administração hospitalar pública?
Por que não escancararam os nomes dos médicos como fizeram com o Dr. Joaquim?

Como essa pauta chegou na redação?

Esse senhor transplantado deveria agradecê-lo e cobrar da Secretaria de Saúde e do Ministério da Saúde uma explicação para a demora na ação para acabar com a ineficiência da Central de Transplantes. Agradecê-lo por haver denunciado o problema de estabilização de pessoas com morte cerebral para a retirada do órgão na rede pública e o sucateamente da Central de Transplantes. A matéria do Jornal da Record mostra uma bela consciência pública da família do denunciador. Caso muito comum nos depoimentos que estamos vendo. Por que essa família não aciona a Defensoria Pública ou o Ministério Público pela ineficiência do setor de transplantes no Rio e pela completa desorganização da fila. Por que o jornal da Record não faz isso? Dá trabalho?

Não venha falar que isso é produto da Operação Fura-Fila, minha senhora. Não reflita pensando apenas no seu caso familiar, mas veja a atuação desse médico na luta por melhores polítícas públicas que atenderiam ao seu marido e a todos os pacientes da lista.

Essa ação foi absurda, sem amparo no Estado de Direito e truculenta!
Assunto que o jornalismo da Rede Record foge como do "diabo"!

Qual era a posição desse senhor na fila anterior e para qual posição foi depois da atualização dos exames? [ver o caso de Adriana]
Por que os jornalistas não checaram que fígado era aquele citado pela mulher do sr. transplantado?

A família ficou comovida com o caso de Jânia Gomes que em 1.1.2008 teve um fígado jogado no lixo? Choraram com ela? Pois quem era a equipe que fez de tudo para transplantá-la? A equipe do Dr. Joaquim Ribeiro Filho! Ela tinha dinheiro? Qual foi a impressão que tiveram daquele caso? Foram solidários?

Mais uma coisa apenas: O Dr. Joaquim não fez nada por essa família? E se o Dr. Joaquim mostrar que fez, qual deve ser o procedimento? O Jornal da Record pode dizer.
"Ficou a impressão" de que ele foi colocado para trás, disse a filha?!
Podemos dizer, publicamente, no Jornal da Record, qual foi a "impressão que ficou", para nós, do depoimento dessa família? Será que entenderam o papel que lhes foi reservado na reportagem?

Por favor, coloquem no ar: "Nós do Comitê de apoio ao Dr. Joaquim Ribeiro Filho, preso sem ter sido ouvido a pedido da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, linchado publicamente na Rede Record, temos a impressão de que os jornalistas do Jornal da Record não são profissionais sérios e são verdadeiros fura-filas da apuração." Daí, vocês dizem qual foi a impressão da emissora sobre o que falamos e nós pedimos um tréplica da impressão de vocês.
No final, fazemos uma grande reportagem sobre "impressões"!

A Rede Record poderia fazer uma "intimação" para o médico prestar "esclarecimentos" no ar. A equipe de jornalismo do Jornal da Record poderia levar os autos do processo com documentos e argumentos da defesa, mas achamos que a redação não entende nada de transplante ou de direito e isso prejudicaria o espetáculo.

Ele cobrava R$ 400,00 pela consulta?
Isso lá quer dizer alguma coisa, colocado fora de contexto?
Quanto pode custar a consulta de um dentista? Qual é a variação de honorários médicos na cidade do Rio de Janeiro?
Quanto custa uma consulta particular de outros cirurgiões?
Vamos fazer um ranking e quem passar de um valor X passa a ser suspeito e investigado?
Os médicos saem discutindo o quanto cobram por aí, nos jornais?
Por que justamente o Dr. Joaquim é exposto a esse tipo de coisa?
É ignorância ou má-fé?
Quantos pacientes ele atende gratuitamente?
Se havia outra possibilidade para consulta porque o paciente ficou com o médico?

A agenda era o "caixa" do médico?
A Rede Record joga isso no ar, sem contexto, como tudo nessa matéria, como se fosse prova de sua conduta irregular?
Algo que "complicaria" a situação do médico?
Ela fez isso por conta própria ou contou com ajuda de suas "fontes" competentes?
Quantos tipos diferentes de cirurgia podem ser realizadas por um cirurgião com 15 anos de carreira (internacional,inclusive)? Qual é o valor que pode ser estabelecido para cada uma delas (os jornalistas da Record poderiam usar o Cremerj como fonte)?
E se nos valores apresentados constarem também despesas?

Eram uma quadrilha e um esquema no começo. Recebiam propina de 250 mil! E o Ministério Público fez um acordo com uma quadrilha...Agora, sobraram dois casos... Mas como nada conseguem provar, o jeito é correr feito loucos atrás de uma "nova" entrevista que "complica a vida do médico"? Está faltando alguma coisa ainda para vasculhar e exibir ou precisam que a Polícia Federal prenda-o de novo? Querem participar ao vivo das escutas?

O procurador observa: havia "um quadro que sugere"? Se "sugere" investiguem e não mandem prender sem o contraditório, e não façam acordos com o que chamaram de "quadrilha" ou "esquema". Frases como essas servem muito bem para ser editadas de um modo que o sensacionalismo conhece bem. Talvez, procuradores devam ter o mesmo cuidado que os magistrados e seguir algo como o que foi sugerido, por um deles, ao Ministro Gilmar Mendes:
É louvável que o presidente do Supremo Tribunal Federal mantenha comunicação social fluida e moderna. Mas a habitual economia verbal dos magistrados não é um simples cacoete profissional nem está ultrapassada; é, antes, importante instrumento de legitimação do Poder Judiciário, pois evita a confusão entre opinião e julgamento. E a noção de que os julgamentos resultam de processos intelectuais mais rígidos e metódicos que as opiniões tende a ruir quando um magistrado de alta visibilidade emite, reiteradamente, opiniões que revelam, mais adiante, convergência com seus julgamentos. Quem quiser conhecer melhor o artigo e o seu autor veja este blog.

Talvez tenha sido uma montagem de alguém, uma edição de seus pensamentos fora de contexto ou coisa assim. Leiam a íntegra com cuidado, portanto. Que o outro lado possa se manifestar. Afinal, estão publicando tanta coisa sem checar.

Além disso, não foi esse mesmo procurador que considerou as acusações do delegado em 13/08 "graves", mas que não as usou porque "não havia provas"? Ele disse isso mesmo ou foi [mais um] um erro do jornalismo nesse caso. É o mesmo procurador que continua falando com a mídia sobre o caso?

O jornalismo da Record está virando o braço armado das autoridades. O braço armado de textos e imagens editados e sustentados somente em "versões" oficiais.
Um braço processado também.
Ver, ainda: Os crimes do sensacionalismo - Luís Nassif.

Bar Bodega: História de uma cobertura criminosa - José Paulo Lanyi

Dirão:
Eles eram pobres e o Dr. Joaquim é um homem rico. No caso do médico a história é contada invertida: a ação de um homem rico e inescrupoloso contra pessoas necessitadas e indefesas. Diante de todas as mentiras que foram ditas sobre este caso: Parem! Falta de escrúpulos tem limite!
Ainda bem que o Dr. Joaquim Ribeiro Filho pôde contar com assistência jurídica frente ao linchamento midiático que, novamente, se reproduz com afinco e determinação. Infelizmente, muito tarde, os rapazes presos no caso Bar Bodega puderam contar com o bom senso e a coragem de um promotor de justiça e de um juiz.
Detalhe: o caso é de 1996, o livro foi lançado em 2007 e a resenha é de 2008.

BAR BODEGA
História de uma cobertura criminosa

Por José Paulo Lanyi em 25/3/2008
Bar Bodega – Um crime de imprensa, de Carlos Dorneles, 264 pp., Editora Globo, São Paulo, 2007; R$ 26,00

O jornalista Carlos Dorneles, repórter da TV Globo, escreveu uma obra que considero essencial para a compreensão de como se dá a relação entre veículos, profissionais de mídia e policiais, sob o clamor da sociedade. Bar Bodega – Um Crime de Imprensa (2007, Editora Globo) contém um relato potente o bastante para nos envergonhar a todos. É desses testemunhos que afiançariam, de uma vez por todas, o fracasso da decência na condição humana, não contivesse, também, os germes da inteligência, do espírito de justiça e da bravura que, embora isolados, caracterizam na plenitude algumas poucas personagens da sua narração. Eis um apanhado do que o leitor encontrará no livro.

O crime

Madrugada de 10 de agosto de 1996. Moema, zona sul de São Paulo. Homens armados rendem os funcionários da choperia e anunciam o assalto. Fogem do local minutos depois, deixando para trás o terror, muitas dúvidas e o rastilho de uma série de novos crimes que seriam cometidos em nome da paz e dos bons costumes – tudo sob o patrocínio de um Estado usurpador do direito e de uma mídia acumpliciada pela ofensa aos estatutos legais, como o imperativo do princípio do contraditório, e – mais importante, por inspirar e, em última análise, totalizar– pela indiferença à verdade irrefutável dos fatos.

O duplo assassinato, do dentista José Renato Tahan, de 26 anos, e da estudante de odontologia Adriana Ciola, de 23, a par do constrangimento físico e psicológico sofrido pelas demais vítimas que estavam no lugar, forneceria uma senha para o vale-tudo policial e uma contra-senha para a insensatez desenfreada da mídia. Passes-livres escritos em caracteres dourados, dadas algumas peculiaridades: o crime fora praticado em um bairro nobre, contra pessoas de classe média, em um ambiente freqüentado pela elite paulistana. Havia outro ingrediente: a choperia pertencia a três atores famosos: Luiz Gustavo e os irmãos Tato e Cássio Gabus Mendes.

Mídia algemada ao Estado

A sociedade precisava responder. Não a dos confins da periferia, mas aquela que, esquecida de tudo o mais – como a violência rotineiramente cometida contra aqueles que não lhe dizem respeito –, não poderia agora aceitar nem silenciar sobre o que, em outros extratos sociais, pode até não ser admissível, mas é, na melhor das hipóteses, indigno da sua atenção.

O Estado e a mídia algemaram-se e, sôfregos, puseram-se a caçar os autores, quaisquer que fossem eles e ainda que não o fossem, em vez de investigar (em sua estrita acepção) a autoria do crime. Dias depois, nove suspeitos foram presos e anunciados pela polícia como os responsáveis pelos delitos. Manchetes vulcânicas, comentários vazios e enviesados, histeria dos detentores da verdade policialesca: vários jornalistas cumpriram à risca a parte que lhes coube no que, com o tempo, soube-se ser a perpetração de uma das maiores injustiças (conhecidas) da história do Brasil. [mais uma]

Um raro cumpridor do dever

Deveriam ter seguido o exemplo de um promotor de justiça corajoso e – absurdamente raro – cumpridor dos seus deveres. Eduardo Araújo da Silva examinou, cuidadosamente, os depoimentos dos acusados, que diziam ter confessado sob tortura cometida por policiais civis. Pôs-se, então, a investigar, em paralelo com policiais do Serviço Reservado da PM. [ELES FORAM OUVIDOS PELO PROMOTOR!]Concluiu, então, pela veracidade das denúncias: agentes do Estado medieval haviam, de fato, imposto toda sorte de sevícias a cidadãos inocentes que, intimidados pela dor e pelo abandono, acabariam por inventar uma participação no episódio. O promotor se baseara, entre vários outros elementos, no trabalho técnico do perito criminal Francisco La Regina, responsável pela reconstituição e cuja análise demonstrava que as peças (como os próprios acusados presos) simplesmente não se encaixavam nos fatos.

A mídia omitiu-se e, longe de apurar as queixas, preferiu fazer coro com a fraseologia policial, afiançando a tese discutível de que todo bandido sempre diz que é inocente e que só falou porque apanhou. Ao invés de pressionar pela apuração das denúncias de tortura, maus jornalistas fizeram um cerco de proteção ao delegado responsável pelo inquérito, João Lopes Filho, e atearam fogo à indignação de uma classe média que à justiça preferiu a vingança, fosse contra quem fosse.


"Ação desvairada da mídia"

Tal simplificação não encontraria eco no Poder Judiciário. Com base no relatório do promotor, que pedia a libertação dos presos por falta de provas, o juiz Francisco Galvão Bruno mandaria soltar sete dos nove acusados (dos dois que permaneceram presos, o menor Cléverson Almeida de Sá estava sendo processado por um outro assalto e Marcelo Nunes Fernandes tinha pena por roubo a cumprir): Benedito Dias de Sousa, Jailson Ribeiro dos Anjos, Luciano Francisco Jorge, Marcelo da Silva, Natal Francisco Bento dos Santos, Valmir da Silva e Valmir Vieira Martins recuperaram, enfim, a liberdade. Não é difícil, contudo, imaginar o tamanho e a natureza do impacto pessoal, familiar e social da injustiça na vida de cada um deles, dali em diante.

Em março de 1997, o juiz José Ernesto de Mattos Lourenço condenaria quatro dos seis novos réus. Na sentença, lê-se este trecho, sobre o tratamento dispensado pela mídia aos nove acusados anteriores:

"Seria a imprensa também a provocadora da ação desvairada que vitimou jovens inocentes que injustamente foram presos, sem qualquer interferência, é verdade, quanto aos sofrimentos experimentados? A resposta é sim. Arvorou-se uma parte da imprensa em defensora da sociedade e exerceu uma pressão insuportável e incompatível com o bom senso. De há muito tempo a imprensa afastou-se da função de noticiar o fato e assumiu ares de julgadora, na ânsia desesperada de noticiar escândalos e explorar a miséria humana, sem se dar conta dos seus limites. Passaram a acusar, julgar e penalizar com execração pública. A lição ainda não serviu. Diariamente continuam explorando as notícias na corrida louca da audiência que, na verdade, tem por finalidade o lucro, o dinheiro dos patrocinadores que não têm qualquer escrúpulo em mostrar seus produtos, à custa da degradação..."

A obra de Dorneles é bem escrita, o texto é informal, preciso e elegante. A narrativa é conduzida pelos desencontros da vida de Cléverson, o menor infrator acusado de outros crimes e ponto de partida para a teia sinistra que se formaria com a detenção de outros rapazes que seriam dados como "culpados" pela polícia.

Há uma ressalva, porém, à fórmula da narração. Ainda que amparado pelas decisões da Justiça, pela coincidência e pela consistência dos depoimentos daqueles que foram considerados injustiçados, Dorneles perigosamente abraça os relatos em sua literalidade, contando os fatos (como se deram as torturas, por exemplo) em minúcias, como se o próprio autor houvesse testemunhado tudo, in loco. Trata-se de um risco desnecessário. Sempre haverá a possibilidade de uma incorreção factual, motivada por diversos fatores, como os exageros, as omissões da lembrança, as "travas" e, o que não é de duvidar em tal atmosfera, distorções que busquem aprofundar o abismo já existente entre a vítima e o verdugo, por impulsos de compensação psicológica.

Afora esse parêntese, que pode indicar a necessidade de uma maior dose de prudência ao leitor, Bar Bodega – Um Crime de Imprensa é uma obra fundamental, um lembrete e um alerta para todos os agentes da cobertura policial: os acusados, as vítimas, os familiares, os policiais, os advogados de defesa, os promotores, os juízes, os jornalistas, todos devem tê-la como referência. E, claro, os donos dos veículos, também.

Outros trechos

"A imprensa continuava publicando informações contraditórias, dia após dia. Depois da reconstituição, voltou a afirmar que o assassino do dentista era Valmir da Silva, e não mais Marcelo Nunes Ferreira, o `Marcelo Negão´. Ninguém parecia se importar nem com o fato de que o tão procurado Marcelo Negão, líder do caso Bodega, quando foi encontrado, era branco. E, obviamente, negava ter o apelido de Negão. Se a polícia dizia que era ele, assim era;"

"Uma exceção foi o jornalista Luis Nassif. Em artigos na Folha de S.Paulo ou em comentários na Rede Bandeirantes, ele criticou duramente a cobertura jornalística do caso. Ficou falando sozinho;"


[Depois da detenção dos novos acusados]

"A notícia da prisão emudeceu muita gente, além da imprensa. O secretário de Segurança, José Afonso da Silva, não quis fazer comentários. O delegado João Lopes Filho não foi achado. No dia seguinte, disse que reconhecia que os presos de agora eram os verdadeiros assaltantes do Bodega. Mas negou as torturas mais uma vez. `Não sei o que levou aqueles homens a confessar com tanta riqueza de detalhes.´ A líder do movimento `Reage São Paulo´, Albertina Dias Café e Alves, não quis responder perguntas, fez apenas uma rápida declaração: `Ainda estamos cautelosos porque da primeira vez também existiram confissões´. O pai de Adriana, Carlos Ciola, esteve na delegacia para ver os acusados. Na saída, um comentário rápido: `Não sei o que dizer, apenas quero ver os verdadeiros culpados na cadeia´. O caso Bodega desapareceria rapidamente das manchetes. A prisão dos verdadeiros culpados era um atestado revelador demais do tipo de comportamento que a imprensa adota em situações como essa, quando os acusados são pobres, sem assistência jurídica, sem nenhuma possibilidade de defesa."

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Quanto à "iniciativa" do procurador da República

Para o procurador do MPF, que apresentou a denúncia contra o médico, é incorreto dizer que a PF decidiu não ouvir o acusado. Segundo ele, o delegado responsável pela Operação Fura-Fila trabalhava no inquérito quando o procurador pediu os autos para estudar a possibilidade de oferecer denúncia e pedir a prisão preventiva.
"Como havia evidências de que Joaquim estava interferindo nas investigações, achei por bem oferecer a denúncia, até porque o conjunto probatório já era suficiente", segundo o procurador. "A PF não tinha como antecipar que eu iria oferecer denúncia naquele momento. É incorreto, portanto, dizer que decidiu não ouvir o médico."
O procurador disse não acreditar que o processo será anulado por conta disso. Folha de S.Paulo, 27/08/2008


A defesa solicita à Polícia Federal a possibilidade de apresentação do contraditório, divulgando a vontade do Dr. Joaquim Ribeiro Filho de dizer qual é a sua versão sobre os possíveis levantamentos da investigação.
A Polícia Federal ignora o pedido.

Nesse momento, não se sabe por qual motivo, o procurador resolve pedir os autos. E nem sequer sabe que há um pedido e uma vontade de ser ouvido da parte do investigado. Achamos que o procurador também não estava "interessado" em ouvi-lo.

Nesse momento, o procurador pediu os autos a quem? À Polícia Federal, imaginamos? Que, ainda, estava fazendo sua investigação... E, aí, o procurador já identifica um conjunto probatório para fazer a denúncia e sem esperar o final da própria investigação da PF pede uma prisão preventiva? Mas isso, não atrapalharia todo o esforço para encontrar provas contundentes contra o esquema? (esquema? essa palavra já saiu dos jornais ou é impressão nossa?)

Mas a prisão preventiva poderia ser pedida sem que as investigações estivessem encerradas? Por outro lado, o MPF tem afirmado que o delegado não tinha concluído o inquérito?!

Trata-se de uma espécie de jogo para ver quem denuncia primeiro?
Quando o procurador solicita a prisão, ele não teve o mínimo de interesse pela versão do médico?

Vamos dizer que a Polícia Federal estivesse interessada em ouvi-lo, em algum momento, o que é garantido pelo Código de Processo Penal, como afirmado pela Conselheira da OAB, Marcia Dinis... Então, quem não respeitou a lei foi o procurador? Sim, ele, que não solicitou ao delegado que ouvisse o investigado Dr. Joaquim, descumprindo o que exige o próprio Código de Processo Penal?

E o que mais espanta ao comitê é: todos os demais médicos denunciados pelo mesmo procurador foram ouvidos na investigação!

Vale observar que as acusações lançadas pela mídia, no dia da operação policial, foram divulgadas pela Assessoria de Imprensa da PF, com base em Relatório final da investigação do Delegado.

Portanto, quando o MPF ofereceu a denúncia em 30 DE JULHO, o fez já com a investigação encerrada, sendo certo que a “ignorada” petição dos advogados, pedindo que Joaquim fosse ouvido, foi recebida pelo Delegado em MARÇO, conforme noticiado pela reportagem do O GLOBO no último sábado.

Além disso, a denúncia foi oferecida com o pedido de expedição de DEZ mandados de busca e apreensão e UM mandado de prisão, cumpridos às 06:00 da manhã pela própria PF. Logo não há como se imaginar que a PF não soubesse do oferecimento desta denúncia.

Outra coisa: as avaliações do delegado e do procurador não trazem sempre um viés (que não conseguem esconder) de que o consideravam culpado antecipadamente? Todas as interpretações não tinham esse viés com o qual os meios de comunicação se alinharam? Vejam as manchetes e os títulos das matérias, o vazamento de escutas, com a mídia previamente avisada etc.

Por que tamanha perseguição?
Leiam com cuidado o que está escrito no habeas corpus para ver se se justificava uma prisão-espetáculo midiática como aquela e a ânsia da PF em dar declarações sobre um "esquema" e uma "quadrilha", blá-blá-blá...

Elas nem constavam da denúncia, sendo certo que os demais denunciados foram logo depois excluídos do processo, a pedido do procurador. Que "esquema" era esse, meu Deus do céu?!