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terça-feira, 11 de novembro de 2008

Será que vão mandar prendê-lo para não atrapalhar as investigações?

Realmente, é uma situação constrangedora a que está passando o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiróz. Com certeza, é um profissional dedicado e vocacionado. É um profissional que acredita na Justiça. Acredita que agiu corretamente e com determinação diante do que considerava ser uma 'falta de apoio' ao seu trabalho.

Ficou indignado com a exposição a que seu filho e esposa foram sujeitados.
Não tem se calado, certo?!
Considera-se perseguido.
Teve seu sigilo telefônico quebrado?
Ele quer ter o direito a saber o teor da investigação que fazem contra ele, não?!
Teme ser denunciado sem saber do que o acusam...
Nada mais justo!
Chamou de "picaretagem" o relatório do delegado da Corregedoria da PF.
Considera-se um homem correto, mas todos estamos sujeitos a investigação e ao direito de se defender, não é mesmo?!

Pois saibam que o Dr. Joaquim Ribeiro Filho tem passado pela mesma coisa e não é nem mais nem menos que o delegado da polícia federal Protógenes Queiróz. Nem mais, nem menos! Nem mais, nem menos que qualquer outro cidadão que vive em uma sociedade democrática.

Ambos tem convicções e uma história pela qual zelam. Ambos gostariam de ver um país melhor e lutam por isso. Ambos, cada um em sua área, não se contentam com a situação que o país vive.

Há sempre alguém disposto a investigar e impedir o trabalho de pessoas assim, não?!
Esperamos que o delegado tenha o direito de se defender e possa esclarecer todas as dúvidas levantadas. Esperamos que ele não seja preso antes de poder fazer isso!


Defesa de Protógenes vai solicitar íntegra do inquérito sobre Satiagraha
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília


A defesa do delegado Protógenes Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha, vai solicitar à Polícia Federal a íntegra do inquérito que investiga supostos excessos cometidos pelo policial durante as investigações. Advogados de Protógenes querem ter acesso aos autos diante da possibilidade do delegado Amaro Vieira Pereira, que apura vazamentos da operação, pedir o indiciamento do policial.


PF entra na casa de Protógenes e apreende bens do delegado
São Paulo - Agência Estado


O delegado Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha, tornou-se ontem alvo da própria Polícia Federal (PF), órgão da qual faz parte há nove anos. Pouco depois das 6 horas da manhã, Protógenes foi abruptamente despertado por uma equipe de agentes e delegados federais, munidos de mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Os policiais vasculharam o apartamento de Protógenes, no centro da capital paulista, uma das residências do delegado. A PF não divulgou informações sobre o que buscava, mas suspeita-se de que os policiais procurassem possíveis provas ou indícios de que o comandante da Satiagraha teria vazado informações sigilosas da operação ou de que teria patrocinado escutas telefônicas ilegais.

A PF levou o computador pessoal do delegado. Também foram recolhidos o rádio e o celular de Protógenes. Outras equipes da PF, simultaneamente, fizeram blitz em outros dois endereços de Protógenes, em Brasília, e no Rio de Janeiro (onde mora o filho dele, Felipe, de 21 anos). Também nesses locais foram recolhidos pertences e equipamentos do delegado.

Protógenes é alvo de inquérito da própria PF que investiga o vazamento de informações sigilosas da operação que ele próprio criou para esmiuçar a vida e as atividades empresariais do empresátio Daniel Dantas, dono do Grupo Opportunity.

O inquérito, presidido pelo delegado Amaro Lucena, corregedor da PF, apura ainda suspeita de grampos telefônicos ilegais. Além de Protógenes, são investigados agentes de sua equipe que também sofreram busca e apreensão por ordem judicial.

No fim da tarde, bastante chocado, Protógenes dirigiu-se à sede da Procuradoria da República, disposto a obter mais informações sobre os motivos pelos quais é investigado. O cunhado dele, o advogado Fernando Alfonso Garcia, declarou que Protógenes se indignou muito com a busca realizada na casa onde mora o filho, no Rio.


Protógenes afirma que não violou sigilos para a imprensa
Folha de S. Paulo11/11/2008 A6

" 'Eu sabia desde o início, quando abriram a investigação, que iriam me acusar. Coincidentemente, a investigação foi aberta depois que eu representei contra a cúpula da Polícia Federal, na Justiça Federal e na Procuradoria da República, as denúncias sobre as condições de trabalho que enfrentei durante a Satiagraha', afirmou o delegado"


Diretor da Abin diz não saber por que é alvo
Folha de S. Paulo 11/11/2008 A4


"Na semana passada, agentes apreenderam em sua casa dois microcomputadores e um laptop, todos de 'uso pessoal' segundo ele. 'Um era de uso da minha mulher, outro da minha filha, além de um laptop de trabalho da minha mulher, que é médica', afirma. (...)
Não tive acesso à investigação. Preciso saber o que há contra mim. Por enquanto, afirmo que sou totalmente inocente.

O funcionário da Abin reclama que a ação da Polícia Federal lhe causou constrangimento perante a família dele."

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Esse caso não é o primeiro. O que se aprende com os erros?

A escola inocente
25/01/2003
EDUARDO RIBEIRO

Divulgado originalmente em 20/11/2002 – Comunique-se (www.comunique-se.com.br)

O caso da Escola de Base entrou para a história como um dos mais grosseiros e sérios erros do jornalismo brasileiro de todos os tempos. Foi uma das mais irresponsáveis e levianas coberturas que este País já viu, com imprensa e polícia se arvorando o papel de Justiça. Passaram-se já oito anos do famigerado episódio e nunca mais os professores Icushiro Shimada, Maria Aparecida Shimada e Maurício Alvarenga foram os mesmos.

Linchados moralmente (e quase fisicamente) por jornais, revistas, emissoras de rádio e tevê - e pela população que acreditou naquelas deslavadas mentiras divulgadas - pouco lhes restou a não ser a dignidade e a determinação de reparar suas reputações e retomar o curso da vida. Foram à Justiça e esta lhes deu ganho de causa em todas as instâncias. E a vitória maior acaba de ser conquistada no Superior Tribunal de Justiça, que manteve a condenação da Fazenda do Estado de São Paulo a pagar aos professores indenização por dano moral, e ainda elevou a quantia - inicialmente arbitrada em R$ 100 mil - para R$ 250 mil para cada um dos três donos da Escola de Educação Infantil Base. Detalhe: não cabe recurso da decisão.

Nunca é demais lembrar que em 1994 a escola foi depredada depois que a imprensa divulgou falsa acusação de abusos sexuais contra crianças. Em março daquele ano, o delegado Edélcio Lemos foi à tevê e confirmou a violência sexual, consolidando o processo de linchamento moral dos donos da escola, com o conseqüente fechamento da escola.

O caso Escola Base é emblemático de um erro - um grave erro - de apuração da imprensa. José Aparecido Miguel, na época na Coordenadoria de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo, recorda que a ânsia de divulgação e de exposição à mídia do delegado Edélcio Lemos somente foi contida diante da ação inicial da Assessoria de Imprensa do Palácio dos Bandeirantes.

Os assessores - especialmente Marcos Garcia de Oliveira (que atualmente está na revista Pequenas Empresas Grandes Negócios, da Editora Globo) - já acompanhavam atentamente o assunto, observando que, a cada dia, o delegado dava novas declarações, mesmo sem a evolução das investigações. Os jornais davam manchetes sem checar adequadamente o que informavam. Garcia, então, orientado por Miguel, alertou, por intermédio da área de comunicação, a Secretaria de Segurança Pública, sobre a postura do delegado, que foi afastado em seguida, em razão das distorções que o caso continha.

O estrago, no entanto, já estava feito. E muito bem feito.
No julgamento do STJ, a ministra Eliana Calmon votou no sentido de condenar o delegado Edélcio Lemos a ressarcir os cofres públicos daquilo que for pago de indenização aos proprietários da Escola, já que, afinal, foi ele o principal protagonista (ou porta-voz) da farsa armada.


A juíza, com propriedade e bom senso, afirmou que não foi a veiculação do assunto pela imprensa e sim a conduta "irresponsável" do delegado, mediante "acusações levianas", que levou os proprietários a serem repudiados e quase linchados pela população, perdendo não só a honra, mas o estabelecimento de ensino. E, nesse ponto, a decisão do STJ foi unânime.
Muitos casos de dano moral se sucederam à Escola de Base, na imprensa brasileira, nenhum, no entanto, tão grave quanto esse. Menos mal que tenha servido de lição.

Em caso de grave denúncia contra a honra de quem quer que seja só mesmo a prudência, o bom senso e a razoabilidade no tratamento do tema. Fora disso é sensacionalismo. E sensacionalismo barato. Um barato que por vezes custa o patrimônio de toda uma vida: a honra de uma pessoa.
(http://www.brasilnews.com.br/NewsNextdd.php3?CodReg=13708&edit=&CodNext=999)

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Quanto à "iniciativa" do procurador da República

Para o procurador do MPF, que apresentou a denúncia contra o médico, é incorreto dizer que a PF decidiu não ouvir o acusado. Segundo ele, o delegado responsável pela Operação Fura-Fila trabalhava no inquérito quando o procurador pediu os autos para estudar a possibilidade de oferecer denúncia e pedir a prisão preventiva.
"Como havia evidências de que Joaquim estava interferindo nas investigações, achei por bem oferecer a denúncia, até porque o conjunto probatório já era suficiente", segundo o procurador. "A PF não tinha como antecipar que eu iria oferecer denúncia naquele momento. É incorreto, portanto, dizer que decidiu não ouvir o médico."
O procurador disse não acreditar que o processo será anulado por conta disso. Folha de S.Paulo, 27/08/2008


A defesa solicita à Polícia Federal a possibilidade de apresentação do contraditório, divulgando a vontade do Dr. Joaquim Ribeiro Filho de dizer qual é a sua versão sobre os possíveis levantamentos da investigação.
A Polícia Federal ignora o pedido.

Nesse momento, não se sabe por qual motivo, o procurador resolve pedir os autos. E nem sequer sabe que há um pedido e uma vontade de ser ouvido da parte do investigado. Achamos que o procurador também não estava "interessado" em ouvi-lo.

Nesse momento, o procurador pediu os autos a quem? À Polícia Federal, imaginamos? Que, ainda, estava fazendo sua investigação... E, aí, o procurador já identifica um conjunto probatório para fazer a denúncia e sem esperar o final da própria investigação da PF pede uma prisão preventiva? Mas isso, não atrapalharia todo o esforço para encontrar provas contundentes contra o esquema? (esquema? essa palavra já saiu dos jornais ou é impressão nossa?)

Mas a prisão preventiva poderia ser pedida sem que as investigações estivessem encerradas? Por outro lado, o MPF tem afirmado que o delegado não tinha concluído o inquérito?!

Trata-se de uma espécie de jogo para ver quem denuncia primeiro?
Quando o procurador solicita a prisão, ele não teve o mínimo de interesse pela versão do médico?

Vamos dizer que a Polícia Federal estivesse interessada em ouvi-lo, em algum momento, o que é garantido pelo Código de Processo Penal, como afirmado pela Conselheira da OAB, Marcia Dinis... Então, quem não respeitou a lei foi o procurador? Sim, ele, que não solicitou ao delegado que ouvisse o investigado Dr. Joaquim, descumprindo o que exige o próprio Código de Processo Penal?

E o que mais espanta ao comitê é: todos os demais médicos denunciados pelo mesmo procurador foram ouvidos na investigação!

Vale observar que as acusações lançadas pela mídia, no dia da operação policial, foram divulgadas pela Assessoria de Imprensa da PF, com base em Relatório final da investigação do Delegado.

Portanto, quando o MPF ofereceu a denúncia em 30 DE JULHO, o fez já com a investigação encerrada, sendo certo que a “ignorada” petição dos advogados, pedindo que Joaquim fosse ouvido, foi recebida pelo Delegado em MARÇO, conforme noticiado pela reportagem do O GLOBO no último sábado.

Além disso, a denúncia foi oferecida com o pedido de expedição de DEZ mandados de busca e apreensão e UM mandado de prisão, cumpridos às 06:00 da manhã pela própria PF. Logo não há como se imaginar que a PF não soubesse do oferecimento desta denúncia.

Outra coisa: as avaliações do delegado e do procurador não trazem sempre um viés (que não conseguem esconder) de que o consideravam culpado antecipadamente? Todas as interpretações não tinham esse viés com o qual os meios de comunicação se alinharam? Vejam as manchetes e os títulos das matérias, o vazamento de escutas, com a mídia previamente avisada etc.

Por que tamanha perseguição?
Leiam com cuidado o que está escrito no habeas corpus para ver se se justificava uma prisão-espetáculo midiática como aquela e a ânsia da PF em dar declarações sobre um "esquema" e uma "quadrilha", blá-blá-blá...

Elas nem constavam da denúncia, sendo certo que os demais denunciados foram logo depois excluídos do processo, a pedido do procurador. Que "esquema" era esse, meu Deus do céu?!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Abafar o quê?

"Abafar o caso"? (ver matéria abaixo, no final deste post)

Agora, a Secretaria de Saúde seria um possível aliado do Dr. Joaquim Ribeiro Filho?
Ele seria ajudado, justamente, por aqueles que, em todas as ocasiões em que tiveram oportunidade, fizeram questão de atribuir a culpa do problema dos transplantes no Rio de Janeiro a ele?

O jornalismo de O Globo também seria um aliado?
Mas tudo o que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal disseram foi publicado nos jornais e canais de televisão. Com direito a uma "simulação" gráfica do "esquema" na própria televisão e "flashes" da prisão ao vivo.
Pergunta: alguém teria coragem de apresentar aquilo de novo?

Por que o ofício do delegado foi apresentado somente agora, sendo que nem sequer dizia respeito ao assunto que seria ouvido pelo juiz?

Além disso, o Dr. Joaquim foi preso sem ter sido ouvido!
Por que a necessidade de uma nova justificativa, apresentada agora?
Alguém estaria tentando "abafar" o caso?
Logo, prenda-se o Dr. Joaquim Ribeiro?!
É um novo procedimento do Estado de Direito?

Mas, se não era ele o responsável pela suposta tentativa de abafamento, por que não foram presos os citados na nota? Não seria o caso de se abrir uma "nova frente de investigação"?
O ofício é uma acusação!

Mas, se o Dr. Joaquim era de antemão culpado, é óbvio que qualquer ação de defesa sobre o caso poderia ser entendida como um "abafamento", correto?! Nesse caso, até o contraditório seria um abafamento?

Qual deve ser o protocolo a ser seguido por um delegado da Polícia Federal e um procurador do Ministério Público Federal com relação a um acusado?
Devem sair dando declarações aos meios de comunicação? Mesmo, quando o acusado não foi ouvido? Isso é ético?

Não deveria existir um porta-voz da instituição que, por um mínimo de segurança, fosse capaz de impedir declarações dos próprios responsáveis pela ação, isto é, justamente, os seus acusadores? Ou foi a própria assessoria da instituição que fez o que vimos?

Eles podem sair declarando uma série de crimes aos meios de comunicação que nem sequer estavam na denúncia?
Que procedimento administrativo deve ser adotado nesse caso? Isso é investigado por alguma corregedoria? Ou foi um "erro" dos jornais que não entenderam o que foi dito?
(ver nota do advogado de defesa e também o caso Escola-Base e a prisão de Antonio Carlos Hummel)

Não insinuaram "enriquecimento ilícito" sem provas?

Onde estão os "200 mil reais" de "propina"?

A pobre paciente Jânia Gomes, da Baixada Fluminense(ver reportagem), seria um dos casos em que o médico "vendia" lugares na fila e fazia uso indevido de fígados marginais? Por isso, a pobre paciente não foi transplantada e o fígado foi jogado fora em plena passagem de ano? Quanto Júnia poderia pagar de propina? Está contabilizado nos "200 mil"?

A "suposta quadrilha" existiu? Os acordos propostos são compatíveis com "supostos articuladores de um esquema de venda de lugares na fila de transplante"? Esses profissionais combativos (ver declarações de apoio) não mereceriam um pouco mais de respeito e consideração?

Por que não se abriu uma "nova frente de investigação" sobre os responsáveis pela lista de transplantes (com pacientes mortos, duplicados, já transplantados e sem exames atualizados - denúncia feita pelo próprio Dr. Joaquim)? Como se organiza, minimamente, uma fila nessas condições?

Por que os processos só ocorrem contra quem salva um fígado do lixo e não com os responsáveis pela paralisação da fila, pela falta de estrutura na sua captação e sua efetiva utilização no transplante? O que ocorre com os responsáveis por um espetáculo midiático que paralisou o setor de transplantes no Rio?

"Abafar o caso", deve significar: problemas com o direito ao contraditório e com a liberdade.

Quando um procurador qualifica as denúncias de um ofício de um delegado da Polícia Federal como "graves", mas que "não há provas", o que isso significa?
Que agora devemos publicar nos jornais todas as suposições que um cidadão ou o Estado tiver contra alguém? Sem o ônus da prova?
O que seria publicado a respeito do Judiciário e dos próprios jornais se essa fosse a regra? Se todos são culpados, porque não há escutas nos jornais e nos Tribunais?
É, no mínimo, curioso: O procurador desqualifica o ofício do delegado na sua denúncia, mas o considera "grave".

Além disso, o que não dá para entender é por que não houve uma interferência nesse caso, como o que ocorreu no caso da Escola-Base (interferência direta da assessoria de imprensa do Governo do Estado).

Um dossiê sobre essa ação?
Será preciso tanto?
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal destacarão esse caso como um de seus casos exemplares?
Será, este, um dos casos em que os procedimentos de referência adotados por um de seus representantes serão lembrados por anos como parte da história exemplar dessas instituições?

"No final do interrogatório, o juiz Lafredo Lisboa leu um ofício do delegado da Polícia Federal Giovani Agnoletto, ao Ministério Público Federal, de 15 de fevereiro de 2008, em que ele lista uma série de "fatos interessantes" que levaram a Justiça a pedir a prisão preventiva de Ribeiro Filho - já relaxada por habeas corpus - , considerando que ele tentou interferir no andamento das investigações.
No documento, Agnoletto afirma que um assessor pernambucano do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, estaria fazendo "gestões para abafar o caso", que o secretário Estadual de Saúde, Sergio Côrtes, teria se reunido com o governador Sergio Cabral e o diretor da TV Globo Guel Arraes, irmão de Carlos Augusto, para avisá-los das investigações. A TV Globo também teria sido avisada e estaria fazendo pressão para abafar o caso. Ainda segundo o ofício, um assessor do ministro da Justiça, Tarso Genro, estaria acompanhando de perto o desenrolar das investigações e a Polícia Federal estaria preparando um dossiê contra Agnoletto.
O procurador da República, Marcelo Muller, disse que as acusações são graves, "mas não há provas, por isso não me baseei nelas para fazer a denúncia".
."
http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid223426,0.htm

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Marcelo Villar - "Meu respeito por ele e por seu pai é tal que dei ao meu filho de oito anos o nome do seu tio e de seu avô..."

É assustadora a superficialidade e parcialidade da cobertura que está sendo feita na imprensa de modo geral, para a última iniciativa midiática da Polícia Federal, na acusação de desvio de órgãos contra a equipe de médicos de transplante de fígado do Hospital Universitário Clementino Fraga, da UFRJ, e na prisão do Dr. Joaquim Ribeiro Filho. E é espantosa a facilidade com que a imprensa reproduz e dá espaço a ações da PF sem preocupar-se em investigar minimamente as acusações, apurar os fatos, levantar o histórico dos acusados, ou ouvir opiniões de especialistas e médicos isentos sobre o funcionamento da fila de transplantes.

O processo legal apenas agora está sendo instaurado, após um inquérito de 5 anos sempre baseado no mesmo caso de 2003. Porém, a condenação através da mídia do Dr. Joaquim Ribeiro e de sua equipe já se deu. Com um longo processo legal pela frente, como tipicamente é o caso no Brasil, ele e sua equipe permanecerão culpados. Ao fim desse longo processo, ao serem inocentados judicialmente (o que estou certo que ocorrerá, dada a falta de fundamento da acusação), o dano à sua imagem e atuação profissional já terá ocorrido de forma irreversível. E permanecerá em ampla parcela da população a percepção de que, mais uma vez, "poderosos" não foram condenados.

Esse padrão, já algumas vezes verificado no passado recente, e ao qual a imprensa se mostra receptiva e acrítica, se repete nesse caso. E a imprensa, conhecedora da prática e de suas intenções e riscos, tem a obrigação de mostrar-se mais atenta, cuidadosa e investigativa. Ainda mais diante de um caso claramente complexo e de um acusado de reputação até então impecável. Mas não o fez - minimamente.

Dr. Joaquim Ribeiro foi o primeiro médico a fazer transplantes de fígado no Rio de Janeiro, no início da década de 90. Ele retornou do seu doutorado na França para criar o primeiro programa de transplantes de fígado do Rio e em um hospital público, formou a grande maioria dos médicos que praticam transplante de fígado no estado, optou por fazer cirurgias na rede pública quando poderia ter se dedicado apenas a uma prática privada que o teria enriquecido. Ele só tem sua casa e nenhuma outra posse. E está sendo acusado de modo vil e infundado.

Dr. Joaquim realizou mais de quatrocentros e cinquenta transplantes - a vasta maioria deles na rede pública. A denúncia do Procurador do MPF limita-se a dois casos. No primeiro caso, do Sr. Jaime Ariston, em 2003, o corpo técnico do CRM-RJ concluiu por unanimidade (21 votos a 0), após instrução longa e minuciosa, que o Dr. Joaquim Ribeiro procedeu de maneira absolutamente correta quando da realização do transplante. No segundo caso, do Sr. Carlos Augusto Arraes, em 2007, o transplante foi realizado por meio de ordem judicial, da qual não houve recurso, sem que nenhum paciente da fila de transplante fosse preterido uma vez que o órgão já estava destinado ao lixo.

As declarações do Delegado da PF à imprensa, no entanto, são cheias de acusações que não foram incluídas na denúncia. A mídia ignorou a enorme discrepância entre as acusações do Delegado e o texto da denúncia do MP Federal.

Levanto algumas perguntas básicas sobre informações divulgadas sem maior investigação:

- Como pode o Delegado da PF acusar o Dr. Joaquim e equipe por crimes não incluídos na denúncia apresentada pelo MPF?
- Como o grupo estaria atuando de maneira criminosa desde 2003 e só foi denunciado por dois casos, um em 2003 e outro em 2007, em um período em que realizou algumas centenas de cirurgias de transplante de fígado?
- O que levou o inquérito a se estender por tanto tempo, com um fato novo apenas quatro anos após o primeiro?
- Por que o Dr. Joaquim foi preso somente cinco anos após instaurado o inquérito?
- Por que o Dr. Joaquim nunca foi ouvido na investigação?
- E qual foi o fato novo que levou a prisão preventiva de um réu primário?
- Desde quando a opinião pessoal de um desafeto, colhida em interceptação telefônica, é motivo para decretação de prisão preventiva, como consta da decisão que decretou a prisão?
- O que justifica um comboio de policiais federais em vários carros, com metralhadoras e armas em punho, acompanhada da imprensa previamente avisada, para cumprir mandado de prisão contra um réu primário e de bons antecedentes, e que obviamente não representava risco?
- Quantos transplantes foram feitos pelo Dr. Joaquim e sua equipe nos últimos cinco anos, quantos na rede pública e quantos particulares?
- Quanto eles recebem por cada transplante na rede pública e por que se dedicam a fazê-los se são "criminosos" em busca de dinheiro?
- Quantas vezes ele e sua equipe recorreram a orgãos rejeitados? E quantas vezes para clientes da rede pública e de sua prática privada?
- Qual o histórico profissional do Dr. Joaquim Ribeiro? Qual a opinião de colegas e pacientes sobre ele?
- Qual o fundamento da acusação de que o grupo ganharia R$ 250.000 de "propina" por órgão?
- Quanto custa uma cirurgia de transplante de fígado na rede privada, entre honorários e custo hospitalar? E quanto de fato foi pago à equipe médica?
- Quanto esses honorários diferem de cirugias similares por outras equipes, em outras cidades?
- Qual a opinião de médicos da área, em outros centros, por exemplo, sobre o procedimento de uso de órgãos descartados?
- Quais os pareceres técnicos incorporados nos autos?
- O que disse o CRM até hoje sobre as acusações?
- A quem no Rio de Janeiro interessa as acusações contra o Dr. Joaquim e sua equipe?
- A quem interessa o enfraquecimento do já combalido Hospital Universitário Clementino Fraga?
- A quem interessa desacreditar e silenciar o Dr. Joaquim e sua equipe?
- Qual o estado da fila de transplantes de fígado no estado do Rio?


Sou parcial. Joaquim Ribeiro Filho é meu cunhado. Revolta-me o que ele está passando e que isso possa acontecer. Conheço sua vocação pública, sua abnegação profissional, seu altruísmo e senso ético. Admiro ele e sua família exatamente pela dignidade, humanidade, senso público e solidariedade com quem sempre viveram. Meu respeito por ele e por seu pai é tal que dei ao meu filho de oito anos o nome do seu tio e de seu avô, e o convidei para ser padrinho do meu filho. Sempre disse para meu filho que o nome dele é uma homenagem a duas pessoas especiais em seu exemplo de vida e dignidade, e que ele deveria sentir-se honrado com a homenagem e ter neles sempre uma referência.

Minha parcialidade é esperada. Trata-se de alguém próximo, a quem respeito, admiro e por quem tenho um grande afeto. O que não me impede de ser minimamente factual e objetivo em minha análise. O que não entendo é como a imprensa pode ser ainda superficial e leviana em situações desse tipo, limitando-se a ouvir algumas poucas opiniões de contra-ponto, sem maior profundidade investigativa e sem questionar mais uma iniciativa midiática da PF. Culpados ou inocentes, deveríamos ser apenas após o devido processo legal. Mais uma vez, esse não está sendo o caso, infelizmente.

O processo seguirá seu curso e tenho convicção de que Joaquim Ribeiro e seus colegas serão inocentados. Disso se encarregará a Justiça, ao analisar os autos e a fundamentação - ou falta de - da denúncia. Porém, é revoltante constatar que os que o acusam e querem desacreditar, poderão ser exitosos na sua obstinação de anos em destruir a imagem de uma pessoa que construiu uma carreira admirável, dedicada primordialmente ao serviço e ensino públicos de uma medicina de ponta e ao seu compromisso de salvar vidas.

A nós, que admiramos Joaquim Ribeiro e seus colegas, que conhecemos sua integridade e compromisso com a medicina e com a excelência profissional, cabe não deixar que a calúnia e a difamação se misturem a uma denúncia já em si leviana e sem fundamentos. A nós, cabe levantar a história destes profissionais, afirmar nossa absoluta certeza de que são homens de bem, e não deixar que vençam os que de fato querem desacreditá-los - muito mais por seus méritos que por eventuais erros - e crimes, nenhum.

A melhor forma de fazermos isso é exigindo da mídia uma cobertura isenta, profunda, investigativa, cumprindo seu papel e sua obrigação.

Obrigado aos que não se resignaram frente à leviandade e injustiça das acusações feitas contra Joaquim Ribeiro e sua equipe, e estão buscando fazer ouvir seus testemunhos, seu apoio e seu respeito por esses profissionais. Quero acreditar que não estaremos ajudando só a eles, mas - de algum modo indireto - ao nosso triste país.

Marcelo Villar

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Últimas

1º Ano da Resistência
Um ano de lutas contra o arbítrio!

Recuperamos a entrevista para a BandNews (com Boechat e Rodolfo Schneider) logo após sua saída da prisão.

A parcialidade da Revista Época com Steve Jobs
A diferença com que trataram Steve Jobs, fundador da Apple, seu transplante de fígado e a acusão de "fura-fila"

Procurador participa de linchamento midiático
Investigar ou perseguir? qual é a função da PF e do MPF?
Qual é a opinião do Ministério Público Federal sobre a ação de seus procuradores? A Corregedoria da Polícia Federal poderia observar se o delegado Giovani Agnoletto respeita os protocolos de uma Polícia em um Estado de Direito? A função da Polícia Federal é "grampear geral" e editar ou investigar? (Ver: Ricardo Amaral: "Grampo é uma droga que vicia a polícia")

Crônica de um linchamento anunciado
Como a imprensa embarcou nos procedimentos arbitrários de um delegado da PF e de um procurador do MPF. Fala que eu publico!
Revista Lide - do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro

O que era a Central de Transplantes?
Hellen Miyamoto, superintendente de Atenção Especializada da Secretaria de Saúde do Rio, não dava conta do caos na saúde no Rio de Janeiro, mas respondia, ao mesmo tempo, pela Central de Transplantes.

O que há de novo na série do Dr. Dráuzio Varella?
Dr. Joaquim Ribeiro Filho - 2004/2007
Dr.Joaquim Ribeiro Filho - 2004

Por que o MPF não acatou as escutas do delegado da PF? Quem foi o mais arbitrário nessa história?
Por que eles entraram no caso?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Só para esclarcer - Observatório no Rádio: programa 844

Observatório no Rádio
Programa 844
(http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=8)
Só para esclarecer
Acusação precipitada


Postado por Luciano Martins Costa em 13/8/2008 às 8:40:49 AM
Só para esclarecer

Os jornais destacam o pacote de decisões de ministros do Supremo Tribunal Federal que claramente favorecem o banqueiro Daniel Dantas, objeto de investigações na operação que a Polícia Federal batizou de Satiagraha.

Numa delas, o ministro Joaquim Barbosa, herói da imprensa no escândalo chamado de "mensalão", concedeu habeas-corpus a Dantas, permitindo que ele se faça acompanhar de um advogado durante o depoimento na CPI dos Grampos, e que possa permanecer em silêncio diante de perguntas que impliquem em sua incriminação.

A decisão era esperada pelos parlamentares que compõem a CPI, uma vez que tradicionalmente o Judiciário leva em conta o direito dos acusados de se negar a fazer declarações que os prejudiquem.

Mas, com toda a fundamentação jurídica, não há como evitar no leitor certa sensação de que o controvertido banqueiro está vencendo a luta contra a Polícia Federal no território da Suprema Corte.

Em outra demanda de interesse do controlador do Banco Opportunity, o ministro Eros Grau mandou libertar o executivo Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom, preso por tentativa de subornar um delegado federal para manter Dantas fora do inquérito.

O ministro argumentou que Braz é tecnicamente primário, e embora tenha se envolvido pessoalmente na conversa sobre pagamento de propina ao delegado, tem direito a responder ao processo em liberdade.

O ministro se baseou no sagrado princípio da presunção de inocência, que deve proteger os cidadãos de decisões precipitadas da Justiça.

Mas a falta de maiores explicações nos jornais pode deixar nos cidadãos comuns, aqueles que não podem pagar um bom advogado, a suspeita de que a presunção de inocência não é para todos.

Especialmente quando os jornais informam que, antes de ser levado ao Supremo Tribunal Federal, o pedido de Humberto Braz havia sido negado pelo Tribunal Regional Federal de São Paulo, pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo próprio presidente do STF, ministro Gilmar Mendes.

O ministro que concedeu o habeas-corpus ao parceiro de Daniel Dantas certamente está coberto de boas razões jurídicas, e a imprensa deve deixá-las muito claras.

Se Dantas é autor de metade dos crimes que lhe imputam a Polícia Federal e o Ministério Público, conforme foi amplamente noticiado, e se Humberto Braz foi encarregado de subornar um delegado para mantê-lo fora das investigações, fica difícil explicar ao cidadão comum a decisão de colocá-lo em liberdade.

Talvez os jornais devessem contar melhor essa história, até mesmo para evitar interpretações maliciosas sobre o funcionamento da Justiça no Brasil.

Acusação precipitada

O noticiário sobre fraudes na lista de espera por transplantes de fígado imputou a um médico a grave acusação de haver recebido propina para favorecer certos pacientes.

Mas a seqüência dos fatos pode indicar que o médico é inocente.

Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:

- Há algo de tristemente recorrente no caso do médico Joaquim Ribeiro Filho, preso em 30 de julho, no Rio, acusado de fraudar a lista de espera de pacientes de transplante de fígado do programa Rio Transplante [ver "Muito barulho, pouco jornalismo"]. E, pior: transferir para clínicas particulares, e pagas, cirurgias feitas com órgãos captados pela rede pública de saúde.

São acusações graves, que merecem e precisam ser investigadas. Mas a mídia cobriu o assunto com base apenas nas acusações e no que as fontes oficiais tinham a declarar. Sabemos que este não é um procedimento incomum, mas deveria ser enfaticamente evitado quando se trata de um potencial assassinato de reputação. Esta é uma regra deve valer tanto para um médico quanto para um gari.

O ombudsman da Folha de S.Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, tratou do assunto em sua coluna de domingo passado e cobrou do seu jornal "mais jornalismo" na apuração do caso [ver "O silêncio dos inocentes"]. O advogado de Joaquim Ribeiro Filho diz que seu cliente "nunca foi acusado de venda ou tráfico de órgãos", conforme divulgou a Polícia Federal, e a mídia embarcou.

No caso de nada ficar provado contra o médico, como reparar o estrago? Vai ser muito difícil.

domingo, 15 de agosto de 2010

Não dá pra entender...ou melhor... entenda quem quiser!

Você sofre escuta telefônica. É acusado por um procurador. Mas repare que ele não acata a maior parte do trabalho da Polícia Federal, que está no caso. No entanto, eles têm algo em comum. O delegado e o procurador não lhe dão direito de defesa (isso porque você vive em um Estado de Direito, que não lhe dá o direito de saber qual é a acusação que lhe fazem e a "qualidade" - o que eles entendem do assunto - do trabalho realizado pelos agentes desse Estado). Assim fica fácil, não?! Só um lado deturpando tudo o que for possível para destrui-lo. O serviço foi feito.

Você já vinha se defendendo na Justiça e mostrando sua inocência, mas porque não montar uma "operação" (qual foi o custo dessa operação e os procedimentos adotados pelo delegado?) e submetê-lo a uma orgia de declarações à mídia. Como se defender disso?

Você foi preso, seus computadores e documentos pessoais e profissionais confiscados. Você não pode falar.

A mídia publica tudo o que um delegado e um procurador dizem, mas não apuram. Acrescentam o que for possível por sua conta, mas não têm a mínima idéia do que é o sistema de transplante.

O procurador dizia nunca ter tido tantas certezas das provas contra você. É feito o trabalho da Justiça com a presença de um OUTRA procuradora do Ministério Público Federal. As testemunhas são ouvidas e aqueles que diziam ter tantas provas, pedem adiamento e, depois, não cumprem o prazo para apresentação da acusação.

A nova procuradora manifesta-se sobre o seu caso, na sua frente, dizendo coisas que você fica na dúvida se ela está falando mesmo do seu caso (sim, aquele em que você foi preso como se fosse um bandido). É a esquizofrenia processual-midiática. Isso tudo porque tinham tantas certezas.


Ou seja, ampliam o quanto podem o seu suplício em mídia privada e pública.

Enquanto isso, o sistema de transplantes do Rio fica quase paralisado... mas, aqueles que o acusavam mantêm-se em silêncio.

Pessoas morrendo... mas não é esse o caso, não é mesmo?! Ministério da Saúde? Ministério Público? Polícia Federal? Mídia?

Nem o credenciamento dos hospitais que foi, pomposamente, noticiado pelo secretário de saúde do Rio saem do papel.

Mas... não é esse o caso, não é mesmo?!

O objetivo da "operação" já foi alcançado, não é mesmo?! Calaram quem tinham de calar... tentaram destruir a carreira daquele que denunciava o que ninguém tinha interesse ou coragem de investigar e publicar, não é mesmo?!

Como essas coisas pairam em um silêncio indecente!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Revista "Época": O "suposto esquema" dos "fura-filas" da apuração (I).

E-mail enviado a Ricardo Amaral (repórter especial de ÉPOCA em Brasília. Envie seu e-mail pelo site: www.epoca.com.br/amaral)

Prezado Ricardo Amaral,
Somos do blog de apoio ao Dr. Joaquim Ribeiro e equipe.

Gostaríamos que visitasse nosso blog e avaliasse as nossas "perguntas sem respostas".
Prestamos bastante atenção à sua coluna em 04/08/2008 sobre grampos (leia a íntegra da coluna, abaixo) e, para nossa surpresa, as jornalistas Martha Mendonça e Solange Azevedo, publicam, na mesma edição, sem contexto e sem indicação de quem estava sendo grampeado, as escutas da Polícia Federal.
A matéria usa até uma editoria de arte para tornar mais "didática" a escuta (com ícones de telefones).
Creio que os jornalistas da revista Época não lêem os colunistas da revista Época. Aí, perguntamos: por que haveríamos de lê-los?
Desculpe-nos, mas quando pessoas são presas sem terem sido ouvidas, a coisa é séria.
E, como você bem observou: [Os policiais] "Tornaram-se dependentes do grampo, como os viciados da cocaína. Não conseguem fazer o dever de casa: investigar com rigor, colher indícios e provas para a instrução do processo".
Nem sabemos direito o que esperar deste e-mail.
É uma luta exaustiva a que escolhemos, mas, justa!
Obrigado pela atenção.
Comitê de apoio ao Dr. Joaquim Ribeiro e equipe.


O "suposto esquema" dos "fura-filas" da apuração: Publique-se! Depois, a gente vê o que faz...
(Atenção: a prisão foi no dia 30/07 e a matéria é da edição de 04/08/2008)

O grampo é uma droga que vicia a polícia
Ricardo Amaral
Revista Época


Um dos mais experientes e astutos políticos da República, Tancredo Neves não gostava de conversas longas ao telefone. “Telefone serve no máximo para marcar encontro, de preferência no lugar errado”, ensinava. Para quem foi ministro de um governo cercado por golpistas (o segundo de Getúlio Vargas) e chefe da oposição parlamentar na ditadura dos militares, o conselho de Tancredo transbordava prudência. Ele sabia que era alvo de grampos plantados por adversários e pela polícia política. Era a cautela da resistência. Surpreendente – e inaceitável – é que sua recomendação permaneça atual, no 20º aniversário da Constituição democrática.

Quando o ministro da Justiça declara que devemos nos conformar com o fato de que nossas conversas telefônicas estão sendo escutadas, como fez Tarso Genro há duas semanas, é sinal de algo muito errado acontecendo no país. É estarrecedora a informação de que juízes brasileiros autorizaram a polícia a montar 409 mil grampos “legais” em 2007. De acordo com a CPI dos Grampos da Câmara dos Deputados, esse número vem crescendo de forma exponencial desde 1996, quando o Congresso aprovou uma lei para regulamentar a escuta autorizada – uma exceção que a Constituição prevê para ajudar a polícia, o Ministério Público e a Justiça a obter provas contra criminosos.

Os números mostram a banalização de um recurso que só deveria ser usado pela autoridade em último caso. A partir da ordem judicial para violar o sigilo de um só aparelho telefônico, uma engenhoca tecnológica batizada de Guardião tece uma rede de escuta capaz de envolver simultaneamente até 2 mil telefones que por acaso tenham falado com o número original. Só na Operação Satiagraha, que monitorou o círculo do banqueiro Daniel Dantas, a Polícia Federal ouviu 1.400 telefonemas por dia e produziu mais de 7 mil páginas de conversas transcritas. A maior parte disso, bisbilhotice sem valor algum para a inteligência ou para a Justiça.
Em 1995, a PF desvendou o maior crime financeiro do país, no Banco Nacional, sem grampear ninguém

Há quem considere os superpoderes do Guardião indispensáveis para enfrentar as sofisticadas organizações de traficantes e dos criminosos de colarinho branco. A história de sucessos da própria PF desmente essa balela. Em 1995, o delegado Paulo Lacerda, hoje diretor da Abin, desvendou a fraude das 900 contas falsas do extinto Banco Nacional sem escutar um só telefonema alheio. O caso Nacional, onde se investigou a origem de um rombo de US$ 6 bilhões, ainda é o maior crime financeiro do Brasil e um dos maiores do mundo. Para resolvê-lo, doutor Lacerda valeu-se de sua própria experiência como ex-bancário e contou com o apoio do perito contábil Geraldo Bertolo. Tiveram de suar a camisa, mas obtiveram provas robustas para levar à Justiça os controladores do banco, da família Magalhães Pinto, uma das mais poderosas do país.

O melhor capítulo da Operação Satiagraha (o flagrante da tentativa de suborno de um delegado, que provocou a prisão de Humberto Brás, braço direito de Daniel Dantas, e pode levar o próprio banqueiro a juízo) também não foi obra do Guardião da PF. O presidente da CPI dos Grampos, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), ele mesmo um policial de carreira, sabe que em muitos casos seus colegas estão começando os inquéritos pelo pedido de escuta, para só no fim estabelecer se havia algum crime ou criminoso a ser investigado. Tornaram-se dependentes do grampo, como os viciados da cocaína. Não conseguem mais fazer direito o dever de casa: investigar com rigor, colher indícios e provas para a instrução do processo.

Para não ser injusto com o ministro da Justiça, registre-se que ele enviou ao Congresso uma proposta para melhorar a legislação de 1996. É mais eficaz que repetir conselhos acacianos. Tarso Genro quer mais rigor dos juízes nas autorizações, que hoje podem ser concedidas até mesmo por um pedido verbal do delegado ou do promotor. Também quer responsabilizar autoridades que vazam o que escutaram e submeter juízes que agem mal a uma corregedoria. São boas idéias para abalar a indústria do grampo, especialmente as propostas para punir autoridades quando abusam de suas prerrogativas. Policiais orelhudos e juízes que se consideram iluminados não melhoram o combate ao crime. Apenas pioram a democracia.

Ver ainda: (00:56)Por que o Globo online (são 00:56) não noticiou o afastamento da Drª Ellen Barroso, a responsável pela perseguição implacável ao Dr. Joaquim Ribeiro e sua equipe? Ver, ainda: Quatro posts indignados e um grito de Justiça! (III)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Perguntas ao procurador

Se o caso do Dr. Joaquim e sua equipe "não é tão simples assim", como diz o procurador na reportagem abaixo, e sabendo que o médico já havia demonstrado sua inocência diversas vezes na Justiça e no Cremerj, por que mandar prendê-lo?

Quem chamou sua equipe de "quadrilha" e os médicos de "comparsas" e quem fez um "acordo" repentino e inexplicável com os médicos "comparsas" e "quadrilheiros"? Um acidente de automóvel poderia ter sido punido com mais rigor que o utilizado contra os supostos membros da "quadrilha". Estranho, não?!

"Se o dr. Joaquim fosse um qualquer, certamente estaria preso, arrasado, mas é alguém com muita influência, com muitas relações”. Pois, então, diga, sr. procurador: quais são essas relações e o que elas fizeram pelo Dr. Joaquim? Ter um bom advogado é uma delas?! O procurador adoraria se fosse um mau advogado, pelo jeito! Ele teve seu habeas-corpus reconhecido por unanimidade no TRF. Quais são as relações do Dr. Joaquim e seus advogados com os desembargadores? Seria importante que o procurador dissesse com todas as letras! E, por dever de profissão, provasse o que fala!!!

O delegado da PF fala em uma ação para beneficiar o médico, mas porque o procurador não usou isso em sua denúncia? Ele mesmo diz: não havia provas. (Ver: Abafar o quê?!)

Segundo ele, a Globo protegeu o médico a pedido da família Arraes. Então vejam o absurdo que o RJTV mandou ao ar e que aproveitadores fizeram questão de colocar no Youtube para atacar a honra do médico. A Globo deveria ficar arrependida da matéria que colocaram no ar. Coisas sem sentido, coisas de quem não tinha a mínima idéia do que é uma lista de transplante.

Acreditamos que o procurador deve ter adorado as reportagens "extremamente corretas" do jornalismo hediondo da Record. Gostaríamos de saber quem enviou as imagens dos documentos apreendidos na casa do médico e mostrados na televisão. Edições "armadas" (o pacto da truculência midiática), como denunciamos.

A secretaria de saúde do Rio e a central de transplantes não teriam nada contra ele. Por isso, foram incansáveis na tentativa de retirá-lo do transplante com portarias arbitrárias derrubadas na Justiça. Já que foram tão determinados na investigação contra o médico, a secretaria já têm o resultado da troca de pacientes em transplante de rim autorizado pela Central de Transplantes? O HGB já foi citado? O Ministério Público Federal e a Polícia Federal estão interessados?

“É evidente que é melhor implantar o fígado em alguém do que ele não ser aproveitado. Nesse caso, no entanto, não temos certeza de que o órgão iria para o lixo. Não sabemos se ele foi oferecido para todo mundo."(Helen Myamotto - coordenadoria do Rio Transplante). O certo seria esperar a câmara técnica que nunca se reunia e a "eficiência" do Rio Transplante denunciada em O DIA? (Ver: "Algumas perguntas sobre a Câmara Técnica e a Central de Transplantes")

Por que o procurador quer investigar alguém que, segundo ele, fazia o que queria no transplante porque no Rio "tudo é meio desorganizado" (palavras e eufemismos seus) e não investiga os responsáveis pela desorganização? Quem causa mais prejuízo à saúde pública e à vida das pessoas?
Agora, nem o procurador acredita que sejam uma "quadrilha"... É realmente curioso... (ver reportagem abaixo)

O médico foi ouvido em 2005 sobre o primeiro caso?! Recebe nova acusação, é alvo de escutas e não pode mais se defender. O que o procurador está dizendo? Mande prender, então?! Caso resolvido?!Pois, se fosse pelos autos do primeiro caso, ele estaria absolvido e não sendo alvo de perseguição como essa! É clara a insatisfação do procurador em não conseguir vê-lo "arrasado"... Seria muito melhor se ele não tivesse "boas relações" (que alguns, também, costumam chamar de Justiça).

Quem parece ter ajuda implacável e "relações" foram o procurador e o delegado, que tiveram a mídia toda à sua disposição para publicar tudo o que dissessem e um pouco mais. Isso são relações!!! Relações que um bom jornalista teria muito cuidado em manter! (Uma pergunta: quem chamou a mídia para registrar com detalhes a prisão e preparar o espetáculo para o jornalismo hediondo?)


Ribeiro sabia que estava sendo investigado. E, apesar de ter enviado duas petições pedindo para depor no processo, a polícia não quis ouvi-lo, mesmo tendo interrogado todos os médicos de sua equipe, pacientes e várias outras testemunhas. A seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil emitiu uma nota dizendo que a PF cometeu uma falta que poderia provocar a anulação do processo. “Ele foi ouvido em maio de 2005 sobre o caso Ariston, não precisava falar de novo”, disse o procurador Marcello Miller.
(...)
No seu gabinete, no centro do Rio, o procurador Marcello Miller comentou as diferenças entre um e outro ponto de vista, e as relacionou com as atitudes de Joaquim Ribeiro. “A mim não interessa se o critério da fila é certo ou errado, se tem que ser mudado ou não”, disse ele. “Não excluo até a motivação nobre dos que não querem desperdiçar os órgãos. O problema é que, ao fazer isso, eles transgridem a lei, e isso é crime. É estreito pensar que houve uma motivação axial para o dr. Joaquim e a sua equipe. Ah, ele queria dinheiro! Ah, ele queria prestígio! Não é simples assim. No caso deles, começou com uma atitude respaldada pela realidade do Rio, onde tudo é meio desorganizado, tem pouca fiscalização, onde a cultura da exceção é a regra. E assim eles foram ampliando a ação, sentindo-se donos da coisa. Quando se viu, eles estavam fazendo o que queriam com os fígados.” Miller disse estar seguro das acusações. “Nunca denunciei com tanta prova, com tanta certeza”, disse. “Se o dr. Joaquim fosse um qualquer, certamente estaria preso, arrasado, mas é alguém com muita influência, com muitas relações”, afirmou. O procurador aludia ao fato de o irmão e advogado do médico, Paulo de Freitas Ribeiro, ter entre seus clientes, bancos, como o Fonte-Cindam, de Salvatore Cacciola, empresas de telefonia e a própria Globo.
(...)
Em uma tarde de setembro, a nova coordenadora do Rio Transplante, Hellen Miyamoto, que assumira o cargo um mês antes, respondeu ao repto de Ribeiro: “É evidente que é melhor implantar o fígado em alguém do que ele não ser aproveitado. Nesse caso, no entanto, não temos certeza de que o órgão iria para o lixo. Não sabemos se ele foi oferecido para todo mundo. O que consta é que o dr. Joaquim disse que iria buscar o fígado para o primeiro paciente do Fundão, e não para um particular. Com isso, o órgão deixou de ser oferecido a outras equipes. Pode ser que algum outro hospital pudesse ter dado um jeito de pegar o órgão.” (Revista Piauí. outubro 2008)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Sobre o blog

Caros companheiros e leitores dessa luta em defesa do Dr. Joaquim Ribeiro Filho e dos competentes profissionais da sua equipe.

Algumas explicações:
Este blog tem algumas limitações nos posts por medida de segurança. Eles passam por uma espécie de filtro dos administradores.

Sabemos que isso retira algumas das importantes características de um blog - que é a interatividade e o debate que ele pode permitir entre os participantes - mas, dadas as circunstâncias truculentas enfrentadas pelos médicos da equipe, precisávamos tomar todo cuidado possível.
Lembrem-se de tudo o que eles passaram!

Não podíamos dar margem alguma para novas e questionáveis intervenções do delegado da Polícia Federal e do procurador do Ministério Público Federal responsáveis pelo caso.

O blog foi montado sob o signo do medo, da arbitrariedade, da truculência, do linchamento midiático...e da nossa revolta, indignação e determinação na resistência. Era preciso dizer tanta coisa, com tanta dor e... raiva... Nossa revolta e indignação tiveram de ser determinadas, mas controladas, contidas e, mesmo, sufocadas em determinados casos. Queríamos falar antes de tudo sobre procedimentos a serem adotados no Estado de Direito, queríamos falar de Justiça. Queríamos falar de profissionalismo, de luta pela vida e de todos os problemas complexos que se colocam nessa luta.

Publicamos apoios, informação e, sobretudo, perguntas...perguntas que as autoridades e a imprensa envolvidas no caso nunca tiveram disposição para investigar e apurar.

Estaremos sendo monitorados? Invadiram a privacidade dos organizadores do blog (seus nomes não são revelados), dos seus familiares e amigos em uma busca desesperada para "arrasar" o Dr. Joaquim? Quando será feito o próximo "vazamento" de imagens e informações totalmente fora de contexto? Qual será a próxima "portaria" contra o médico a ser derrubada na Justiça? Até quando computadores e documentos dos médicos ficarão em poder da PF? Serão devolvidos antes daqueles apreendidos na casa do delegado Protógenes - que, por sinal, demonstrou indignação semelhante à nossa e teve grande espaço na imprensa)? Ações desse tipo não nos deixam longe da paranóia...

Talvez, seja difícil mudar essa marca de origem do blog. Por isso, pedimos aos colaboradores e leitores que perdoem o uso de alguns filtros. Caso se sintam "censurados" de alguma forma, por favor, queiram deixar um e-mail para contato e, assim, poderemos explicar os possíveis motivos.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Notícia Folha de S. Paulo

Defesa estuda pedir anulação de processo
DA SUCURSAL DO RIO
A defesa do médico Joaquim Ribeiro Filho estuda entrar com um pedido de habeas corpus para tentar anular o processo contra o cirurgião, ex-chefe da equipe de transplantes de fígado do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Ele é acusado de burlar a fila de espera em benefício de três pacientes; dois foram transplantados.
Segundo Paulo Freitas Ribeiro, advogado e irmão do médico, o réu foi ouvido pela Polícia Federal apenas no inquérito que apurava as circunstâncias da primeira cirurgia sob suspeita, realizada em julho de 2003. A segunda investigação, sobre os outros dois casos, foi enviada ao MPF (Ministério Público Federal) sem que o acusado pudesse se manifestar.
"O delegado tem que ouvir o indiciado. Esse caso é ainda mais absurdo porque chegamos a entrar com uma petição para que ele fosse ouvido, mas o pedido foi ignorado", disse. O advogado aponta ainda outra suposta falha que pode embasar o pedido de anulação. Ele diz que a Justiça não poderia ter acatado a denúncia oferecida pelo MPF sem notificar Ribeiro para que apresentasse, por escrito, uma defesa prévia. Segundo a advogada criminalista Márcia Dinis, conselheira da OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro), os pontos apontados pela defesa indicam o descumprimento do CPP (Código de Processo Penal). O código determina que a autoridade policial ouça o acusado na fase de inquérito. A defesa prévia à aceitação da denúncia pela Justiça também está prevista CPP, no artigo sobre o processo e o julgamento de crimes praticados por funcionários públicos.
Para ela, a PF errou ao não ouvir novamente o indiciado durante o segundo inquérito. "Cada acusação é uma acusação diferente. Não dá para pegar emprestada a defesa que foi de um determinado fato e usar em outro", afirmou. "O descumprimento das regras estabelecidas no Código de Processo Penal pode levar a falhas irrecuperáveis no curso da ação penal, com prejuízos ao acusado, tornando a ação penal precária e, portanto, inapta a produzir um resultado", disse a advogada.
Para o procurador da República Marcello Miller, responsável pela denúncia contra o médico, é incorreto dizer que a PF decidiu não ouvir o acusado. Segundo ele, o delegado responsável pela Operação Fura-Fila trabalhava no inquérito quando o procurador pediu os autos para estudar a possibilidade de oferecer denúncia e pedir a prisão preventiva.
"Como havia evidências de que Joaquim estava interferindo nas investigações, achei por bem oferecer a denúncia, até porque o conjunto probatório já era suficiente", disse Miller. "A PF não tinha como antecipar que eu iria oferecer denúncia naquele momento. É incorreto, portanto, dizer que decidiu não ouvir o médico."
Miller disse não acreditar que o processo não será anulado por conta disso.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O fim da reportagem... "uma mulher" e "o delegado disse"

Não se faz mais apuração, não se faz mais nada que saia do script criado pelos órgãos oficiais.
A PF disse, O MP disse, O delegado disse e depois de um bom tempo: o advogado de defesa disse.

A PF divulga que "uma mulher" disse que o Dr. Joaquim pediu R$ 150.000,00 para um transplante.
Desde quando jornalistas contentam-se em divulgar que "uma mulher" disse, segundo a PF.
"Uma mulher" ? Quem? Qual é credibilidade disso? Foi porque a PF falou.
Viva o oficialismo. Passemos a fazer releases para a PF e o MP.

De onde surgiu o valor de R$ 200.000,00 por uma cirurgia?
A família Arraes pagou R$ 90.000,00 à equipe, com nota apresentada na PF.
Há dinheiro no cofre, remessas ao exterior, sinais de riqueza?

sábado, 23 de agosto de 2008

Dr. Joaquim Ribeiro em "O Globo" 23/08/2008





Investigação
OAB aponta falhas em processo contra médico acusado de furar fila de transplantes

Publicada em 22/08/2008 às 22h43m
O Globo Online

RIO - A conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) Márcia Dinis e o jurista Luiz Flávio Gomes acham que a Polícia Federal falhou ao não ouvir o médico Joaquim Ribeiro Filho, ex-coordenador do programa Rio Transplante, durante a fase de inquérito da Operação Fura-Fila, como informa reportagem publicada neste sábado pelo jornal O Globo. Para Luiz Flávio Gomes, a atitude da PF poderá provocar a nulidade do processo. Acusado de chefiar um esquema para furar a fila de transplantes de fígado no Rio, Joaquim foi denunciado à Justiça sem ter tido direito a dar a sua versão, apesar de ter pedido oficialmente.

Segundo o jurista, qualquer acusado tem direito a falar na fase de inquérito. Ele citou como exemplo as denúncias de corrupção na prefeitura de Santo André, em São Paulo, em 2002. No caso, os acusados não foram ouvidos e, por causa disto, a Justiça anulou o recebimento da denúncia e devolveu o inquérito para a polícia.

Em março deste ano, antes de o Ministério Público federal oferecer a denúncia, os advogados de Joaquim Ribeiro Filho enviaram, em vão, uma petição ao delegado federal Giovani Celso Agnoletto, responsável pelas investigações, para que o médico fosse ouvido. Segundo o advogado Paulo Freitas, que defende o médico, todas as testemunhas e denunciados depuseram, menos Joaquim.


Para a criminalista Márcia Dinis, conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), a polícia tem descumprido o Código de Processo Penal, que, no artigo 6º, diz como a polícia deve conduzir o inquérito. No quinto inciso, está determinado que o indiciado dever ser ouvido.

Para os advogados do médico, a prisão não se justificava, já que não havia, como a lei determina, ameaça à ordem pública ou a coação de testemunhas. No habeas corpus concedido pela 2ª Turma do Tribunal Regional Federal, foi considerado que houve constrangimento.[nota nossa: o "habeas corpus" foi concedido devido ao constrangimento imposto aos denunciados]

Acusado de ter caracterizado falsamente um fígado como marginal (em más condições), em 2003, para usá-lo em Jaime Ariston, irmão de Augusto Ariston, então secretário estadual de Transportes, Joaquim nega. O caso originou um processo no Conselho Regional de Medicina e o cirurgião foi absolvido por unanimidade em 2006.

O médico também é acusado de ter privilegiado Carlos Augusto de Alencar Arraes (filho do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes e irmão do diretor Guel Arraes, da TV Globo). Joaquim explicou que o órgão, de um doador de Minas, não tinha como ser captado pelas equipes do Fundão e do Hospital Geral de Bonsucesso porque o caso ocorreu no dia do acidente com o avião da TAM, em São Paulo, e o país enfrentava o caos aéreo. Como o órgão seria descartado, a família de Arraes - que tinha autorização e condições financeiras para captar o órgão - fretou um avião.

Data de Publicação: Sábado 23 Agosto 2008
OAB aponta falhas em processo contra médico

Jurista afirma que atitude da PF pode levar à anulação do inquérito por suposta fraude na fila de transplantes

A conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) Márcia Dinis e o jurista Luiz Flávio Gomes acham que a Polícia Federal falhou ao não ouvir o médico Joaquim Ribeiro Filho, ex-coordenador do programa Rio Transplante, durante a fase de inquérito da Operação Fura-Fila. Para Luiz Flávio Gomes, a atitude da PF poderá provocar a nulidade do processo. Acusado de chefiar um esquema para furar a fila de transplantes de fígado no Rio, Joaquim foi denunciado à Justiça sem ter tido direito a dar a sua versão, apesar de ter pedido oficialmente.

Segundo o jurista, qualquer acusado tem direito a falar na fase de inquérito. Ele citou como exemplo as denúncias de corrupção na prefeitura de Santo André, em São Paulo, em 2002. No caso, os acusados não foram ouvidos e, por causa disto, a Justiça anulou o recebimento da denúncia e devolveu o inquérito para a polícia.

Em março deste ano, antes de o Ministério Público federal oferecer a denúncia, os advogados de Joaquim Ribeiro Filho enviaram, em vão, uma petição ao delegado federal Giovani Celso Agnoletto, responsável pelas investigações, para que o médico fosse ouvido. Segundo o advogado Paulo Freitas, que defende o médico, todas as testemunhas e denunciados depuseram, menos Joaquim.

Para a criminalista Márcia Dinis, conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), a polícia tem descumprido o Código de Processo Penal, que, no artigo 6º, diz como a polícia deve conduzir o inquérito. No quinto inciso, está determinado que o indiciado dever ser ouvido.

— Como se vai apurar um crime sem ouvir o principal acusado? Isso é preciso, principalmente quando se trata de uma questão extremamente técnica, como no caso de transplantes — disse Márcia.

Jurista diz que prisão foi caso típico de exagero

A prisão de Joaquim Ribeiro Filho também é questionada por juristas. Para Luiz Flávio Gomes, foi mais um caso típico de exagero.

— Não há necessidade de prisão. Pode-se bloquear os bens, proibir o exercício de cargo público, ambas penas duras. Houve um exagero da Polícia Federal. A polícia acha que a prisão é a única pena que ele sofrerá. É a Justiça imediatizada — disse.

Luiz Flávio Gomes, ao comentar o caso do médico, citou ainda o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), que falou em "espetacularização" da prisão quando o empresário Daniel Dantas foi detido pela PF.

Para os advogados do médico, a prisão não se justificava, já que não havia, como a lei determina, ameaça à ordem pública ou a coação de testemunhas. No habeas corpus concedido pela 2ª Turma do Tribunal Regional Federal, foi considerado que houve constrangimento.

— Não era necessário todo aquele aparato, com homens armados com fuzis entrando na minha casa às 6h. Se eu tivesse sido intimado para me apresentar em Bangu 8, eu iria — disse Joaquim Ribeiro Filho.

O médico também reclama da truculência policial durante as investigações. Segundo ele, dia antes de médicos serem intimados, policiais iam ao Hospital do Fundão armados com fuzis e causavam constrangimento. Diante disso, o diretor do hospital, Alexandre Pinto Cardoso, encaminhou um ofício ao procurador-geral da UFRJ comunicando que a presença de policiais no hospital estava provocando constrangimento a pacientes e funcionários.

Acusado de ter caracterizado falsamente um fígado como marginal (em más condições), em 2003, para usá-lo em Jaime Ariston, irmão de Augusto Ariston, então secretário estadual de Transportes, Joaquim nega. O caso originou um processo no Conselho Regional de Medicina e o cirurgião foi absolvido por unanimidade em 2006.

O médico também é acusado de ter privilegiado Carlos Augusto de Alencar Arraes (filho do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes e irmão do diretor Guel Arraes, da TV Globo). Joaquim explicou que o órgão, de um doador de Minas, não tinha como ser captado pelas equipes do Fundão e do Hospital Geral de Bonsucesso porque o caso ocorreu no dia do acidente com o avião da TAM, em São Paulo, e o país enfrentava o caos aéreo. Como o órgão seria descartado, a família de Arraes — que tinha autorização e condições financeiras para captar o órgão — fretou um avião.

Cirurgião amordaçado pela Justiça

Joaquim precisa de autorização para dar entrevista e está impedido de falar com médicos da própria equipe

Proibido de dar entrevistas, Joaquim Ribeiro Filho só conseguiu dar a sua versão sobre as acusações da Polícia Federal depois de uma autorização judicial. O médico, um dos principais especialistas em transplantes de fígado do país, ainda está impedido de se comunicar com os médicos de sua equipe. Ele se defende e diz que as acusações da Polícia Federal são frágeis.

Confiante de que as contradições existentes no processo serão esclarecidas na Justiça, em entrevista ao GLOBO, o cirurgião reiterou que em nenhum momento cometeu irregularidade e garante nunca ter voltado às costas para o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

— Se tivesse voltado às costas para o Fundão, como outros fizeram, estaria rico.

Célia Costa

O que senhor diz sobre as acusações da polícia?

JOAQUIM RIBEIRO FILHO: As acusações são frágeis e inverídicas. Não tive acesso ao processo integralmente, mas li algumas coisas que são extremamente montadas. Por exemplo: eles colocam um documento de que a família (caso Arraes) teria alugado um avião na parte da manhã e a morte cerebral do doador só foi constatada à tarde. Foi por volta das 18h que a Central de Transplantes de Minas foi informada da morte do doador. Como a família poderia ter contratado o avião pela manhã? Conversei com a família e isso foi checado. Foi bastante claro e ocorreu depois do acidente do avião da TAM. Não tinha como esquecer. No caso do Ariston, fui absolvido por 21 a 0 pelo Conselho Regional de Medicina (Cremerj) e a denúncia foi apreciada pela Justiça federal, que a rechaçou em primeira e segunda instância, com provas muito concretas. Estou absolutamente tranqüilo quanto a isso, seguro de que não cometi nenhuma irregularidade e bastante confiante na Justiça. Sei que vai ser dado o tratamento adequado.

Segundo a Polícia Federal, num dos casos o paciente pagou cerca de R$200 mil, sendo que os honorários médicos foram R$90 mil e o restante, pago à Clínica São Vicente. O preço de um transplante é esse mesmo? Por quê?

JOAQUIM: Eles disseram que eu recebi R$200 mil a R$250 mil. Como, se eles receberam a nota fiscal? Eles apreenderam um livro da minha firma, que mostra os honorários cobrados claramente. Tudo está comprovado com recibos e com a Receita Federal. Os R$90 mil são honorários da equipe médica. No Brasil, apenas os preços de quem presta medicina de grupo são tabelados. No particular, o médico cobra e o paciente paga. Claro que não pode haver abusos.

O senhor alega que o fígado doado para Jayme Ariston era marginal. Por que o senhor usava esse tipo de órgão, que costuma ser descartado em outros estados?

JOAQUIM: O mundo inteiro procura expandir o pool de doadores. Não tem órgão para todo mundo. Primeiro, o critério era a idade. Depois, as condições do órgão. Se eu seguir o protocolo, vou transplantar muito menos. Não há órgão suficiente para atender a demanda e isso não é um problema apenas do país. No Brasil é pior, porque descartamos um quinto do que deveríamos captar. Descartar os fígados marginais, como as pessoas descartam, seria um prejuízo. Esse descarte corresponde à morte de receptor e isso é uma coisa que tem que ficar muito clara. Com um fígado marginal, estamos salvando a vida de alguém. O fígado marginal é responsável por 30% a 40% dos transplantes no mundo.

Apesar de o senhor dizer que o fígado era marginal (caso Ariston), um laudo de uma hepatologista do Fundão diz que o órgão era normal. Como o senhor explica as diferentes avaliações?

JOAQUIM: Primeiro, esse laudo não é de uma hepatologista. O laudo que a Polícia Federal usa não existe. O laudo de normalidade desse fígado era de esteatose (degeneração gordurosa). Por isso, digo que era para um médico ver e não um burocrata. O fígado tinha as bordas rombas e o paciente tomou uma série de medicamentos para manter a pressão arterial, coisas que comprometem o órgão, e por isso ele foi considerado marginal. A biópsia só apareceu uma semana depois, quando seria imprestável para transplante. É uma decisão que teria que ser tomada rapidamente, porque não foi feita a biópsia na hora.

Causa estranhamento no processo o fato de todos os médicos acusados de participarem do esquema terem sido defendidos por advogados indicados pelo senhor. Isso não impediria que eles falassem a verdade nos seus depoimentos? Não houve constrangimento?

JOAQUIM: Isso não procede. O que aconteceu é que eu, como chefe da equipe, fui procurado durante as investigações pelos médicos, que se sentiram intimidados e pediram ajuda, acompanhamento. Alguns pediram, outros não. Além disso, essas pessoas estavam intimidadas porque o delegado e outros policiais entravam no Fundão portando fuzis. Pelo que sei, não há nenhum impedimento a que um advogado assista pessoas investigadas pelo mesmo fato.

A lista de transplantes tinha nomes repetidos, pessoas já mortas. Isso não é um indício de que ela não era levada a sério?

JOAQUIM: Concordo. É indício de que não estava sendo atualizada. Como um paciente transplantado continuava na lista? Isso mostra um erro brutal. Uma falha grave do sistema. Nós não temos acesso à lista. O enxugamento da fila aconteceu no mundo inteiro por causa da aplicação do Meld (parâmetro usado para classificar os futuros receptores), e não apenas no Rio.

Uma auditoria do Denasus encontrou 11 pessoas transplantadas que sequer estavam na lista.Como o senhor explicaria isso?

JOAQUIM: Essa auditoria é posterior à denúncia. São coisas que estão querendo replantar. Ela já foi rebatida. Se a pessoa transplantada foi mantida na lista, isso ocorreu tanto no Bonsucesso (HGB) quanto no Fundão. Quando estávamos na central fazíamos a checagem da lista e agora não temos acesso.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Entre a indignação e o cansaço

Foi com esse título que Sylvia Moretzsohn, professora de jornalismo da UFF, comentou o artigo de Helite Vaitsman sobre o caso do Dr. Joaquim para o Observatório da Imprensa.

Destacamos, abaixo, uma pequena parte da dissertação da professora Sylvia Moretzsohn sobre a relação entre a velocidade e o trabalho jornalístico. A dissertação é de 2000.

Perguntamos: A defesa da liberdade de imprensa, na verdade, não está servindo apenas para a permissividade e uma total acomodação ao que está acontecendo? Não estamos traindo o espírito da liberdade de imprensa, tratando-a como uma simples liberdade de mercado para publicações, no qual a concorrência, a velocidade, a audiência e a venda são os juízes? No final, se houver erro, culpem-se as fontes de sempre!

Será que a questão está no fato de que o valor das indenizações estão compensando esse procedimento? Será que os jornalistas gostariam de ser tratados como "casos de polícia" como foi o Dr. Joaquim Ribeiro Filho? Será que precisarão ser alvo de ações da Polícia Federal para que cumpram minimamente a ética profissional (quando não os seus próprios manuais de redação)? Seria pedir muito que entendam minimamente do que falam ou que tenham assessorias de apoio nas redações? E que não sejam assessorias de imprensa! Ou, que não sejam apenas assessorias de imprensa...

Vejam um pequeno trecho da dissertação da pesquisadora Sylvai Moretzsohn:

"Mais importante que perceber como o erro pode ser facilitado pela competição é ver como essa disputa favorece o alarme em vez do esclarecimento, como no exemplo a seguir:
Ela [a competição] às vezes nos obriga a divulgar as coisas apressadamente, obrigando-nos a desmenti-las posteriormente. Ela pode encorajar o erro em um lead, não justificado pelo resto da matéria, resultando em puro sensacionalismo. Lembro-me das manchetes que ocuparam toda a primeira página do New York Post durante o alarme nuclear de Three Mile Island em 1979. A primeira dizia: “Nuvem nuclear se espalha”. A segunda, no dia seguinte, era: “Vazamento escapa ao controle”. No terceiro dia, a manchete foi: “Corrida contra o desastre nuclear”. E no quarto: “Situação melhora” [245] .


Neuman, porém, não enxerga aí uma consequência lógica da rotina de competição: considera o caso um desvio, um “abuso”, um exemplo flagrante “de jornalismo barato, que explora o medo” - afinal, tratava-se de um jornal sensacionalista. O próprio Neuman, no mesmo caso, comportou-se de modo diverso:
Durante o episódio de Three Mile Island veio um boletim da UPI citando um porta-voz da Nuclear Regulatory Agency que teria dito: “existe o risco final de um derretimento”. Eu deveria ir ao ar, interrompendo a programação normal - fazendo o que se chama de interrupção da cadeia - e dar a notícia. Eu olhei para o boletim, decidi que não sabia qual era o seu significado e sugeri ao diretor de jornalismo da NBC que esperássemos. Ele concordou. (...) Depois de muitas dificuldades, conseguimos algumas informações sobre o significado de um risco final de derretimento. Significava muito menos do que se poderia ter pensado. Quando fui ao ar, estávamos em condições de dar a notícia em perspectiva. Era muito menos atemorizadora do que parecera a princípio. Mas, naturalmente, fomos a terceira emissora a divulgá-la [246] .

A prudência talvez tenha sido resultado da fonte originária da informação imprecisa e alarmista: um boletim da UPI, embora citando fonte oficial. Quando o contato com esse mesmo tipo de fonte é direto, a história muda:

Nós fomos criticados pela cobertura que fizemos do atentado contra Reagan porque divulgamos alguns dados incorretos e porque continuamos a transmitir apesar das informações serem relativamente escassas.

Dois pontos: nós tínhamos que continuar transmitindo. Alguém havia atirado no presidente. Algumas das pessoas que o cercavam tinham sido atingidas. Em tais circunstâncias, não se pode deixar de transmitir.

Mas então nós dissemos que o presidente não havia sido ferido. Isto provou-se ser um erro. O que fazer? A resposta é que esta informação veio da Casa Branca. Nós não a inventamos. Depois veio o anúncio de que James Brady, o secretário de imprensa da Casa Branca, havia morrido. Novamente, a primeira notícia veio de alguém da Casa Branca. Nós não tínhamos outra escolha a não ser divulgá-la [247]
.

Vários estudos já demonstraram o quanto as fontes oficiais mentem [248]. No entanto, o mais significativo aqui não é verificar que, apesar disso, e apesar do número de vezes que a história se repete, as fontes oficiais continuem a ser acreditadas sem mais questionamentos. O principal é entender que, sob pressão, a fonte é instada a dizer alguma coisa, qualquer coisa, para “alimentar o sistema”. Em consequência, tanto podem ocorrer erros (como aparentemente foi o caso no exemplo citado acima) como, o mais grave, a divulgação proposital de informações incorretas ou francamente falsas, exatamente porque as fontes conhecem as rotinas de produção e sabem que, nessas circunstâncias, o que for dito será veiculado.

A propósito, Schudson observa que, “quanto mais a mídia enfatiza o imediatismo das notícias, mais os jornalistas estão sujeitos à manipulação das fontes” [249] . Considerando que o imediatismo está incorporado às rotinas de produção, a sempre condenada subserviência dos jornalistas à palavra da autoridade não é simples de superar. Por isso, questionado a respeito, o repórter Caco Barcellos preferiu apontar o problema na própria estrutura competitiva dos meios de comunicação, mostrando como é difícil adotar coletivamente uma atitude crítica no cotidiano da profissão:

...eu não sei se isso [a subserviência] é consequência da pressão a que o repórter é submetido, a pressão industrial até, porque é complicado você duvidar sempre da polícia. Eu me sinto um privilegiado, eu posso duvidar, não que o outro não possa, mas porque eu tenho mais tempo para apurar. E nem todo repórter tem esse privilégio que eu tenho. O camarada pode sair da redação precisando fechar duas matérias. Ele vai duvidar de tudo que é delegado que cruzar na vida dele? Isso só vai derrubar a matéria. Pra mim é relativamente confortável falar: “Não, tem de duvidar sempre”. Mas eu tenho tempo pra duvidar, eu posso apurar. Se o teu chefe está lá cobrando, e você está começando na profissão - e hoje as redações estão cheias de profissionais inexperientes -, como “bancar” um chefe, dizer que não tem a matéria, se no dia seguinte o concorrente pode dar com todo o destaque aquilo que o delegado passou pra ele? Haja peito pra segurar essa barra. É complicado [250] .

Como e por que alguns repórteres conseguem prestígio a ponto de obter esse “privilégio” de poder trabalhar corretamente enquanto a maioria se desdobra em várias pautas por dia é um assunto que merece pesquisa específica e foge aos objetivos deste trabalho. Importa aqui o depoimento, que dá conta de uma realidade dura. Mas importa igualmente perceber que a subordinação à palavra da autoridade raramente é inocente: em geral a urgência surge como justificativa para isentar a imprensa de responsabilidade ou mesmo conivência na divulgação de notícias sem fundamento, atribuindo-se toda a responsabilidade à fonte, especialmente se oficial."

Ver:A velocidade como fetiche – o discurso jornalístico na era do "tempo real"
Sylvia Moretzsohn, Universidade Federal Fluminense

(tese de mestrado, 2000)

sábado, 30 de agosto de 2008

Bar Bodega: História de uma cobertura criminosa - José Paulo Lanyi

Dirão:
Eles eram pobres e o Dr. Joaquim é um homem rico. No caso do médico a história é contada invertida: a ação de um homem rico e inescrupoloso contra pessoas necessitadas e indefesas. Diante de todas as mentiras que foram ditas sobre este caso: Parem! Falta de escrúpulos tem limite!
Ainda bem que o Dr. Joaquim Ribeiro Filho pôde contar com assistência jurídica frente ao linchamento midiático que, novamente, se reproduz com afinco e determinação. Infelizmente, muito tarde, os rapazes presos no caso Bar Bodega puderam contar com o bom senso e a coragem de um promotor de justiça e de um juiz.
Detalhe: o caso é de 1996, o livro foi lançado em 2007 e a resenha é de 2008.

BAR BODEGA
História de uma cobertura criminosa

Por José Paulo Lanyi em 25/3/2008
Bar Bodega – Um crime de imprensa, de Carlos Dorneles, 264 pp., Editora Globo, São Paulo, 2007; R$ 26,00

O jornalista Carlos Dorneles, repórter da TV Globo, escreveu uma obra que considero essencial para a compreensão de como se dá a relação entre veículos, profissionais de mídia e policiais, sob o clamor da sociedade. Bar Bodega – Um Crime de Imprensa (2007, Editora Globo) contém um relato potente o bastante para nos envergonhar a todos. É desses testemunhos que afiançariam, de uma vez por todas, o fracasso da decência na condição humana, não contivesse, também, os germes da inteligência, do espírito de justiça e da bravura que, embora isolados, caracterizam na plenitude algumas poucas personagens da sua narração. Eis um apanhado do que o leitor encontrará no livro.

O crime

Madrugada de 10 de agosto de 1996. Moema, zona sul de São Paulo. Homens armados rendem os funcionários da choperia e anunciam o assalto. Fogem do local minutos depois, deixando para trás o terror, muitas dúvidas e o rastilho de uma série de novos crimes que seriam cometidos em nome da paz e dos bons costumes – tudo sob o patrocínio de um Estado usurpador do direito e de uma mídia acumpliciada pela ofensa aos estatutos legais, como o imperativo do princípio do contraditório, e – mais importante, por inspirar e, em última análise, totalizar– pela indiferença à verdade irrefutável dos fatos.

O duplo assassinato, do dentista José Renato Tahan, de 26 anos, e da estudante de odontologia Adriana Ciola, de 23, a par do constrangimento físico e psicológico sofrido pelas demais vítimas que estavam no lugar, forneceria uma senha para o vale-tudo policial e uma contra-senha para a insensatez desenfreada da mídia. Passes-livres escritos em caracteres dourados, dadas algumas peculiaridades: o crime fora praticado em um bairro nobre, contra pessoas de classe média, em um ambiente freqüentado pela elite paulistana. Havia outro ingrediente: a choperia pertencia a três atores famosos: Luiz Gustavo e os irmãos Tato e Cássio Gabus Mendes.

Mídia algemada ao Estado

A sociedade precisava responder. Não a dos confins da periferia, mas aquela que, esquecida de tudo o mais – como a violência rotineiramente cometida contra aqueles que não lhe dizem respeito –, não poderia agora aceitar nem silenciar sobre o que, em outros extratos sociais, pode até não ser admissível, mas é, na melhor das hipóteses, indigno da sua atenção.

O Estado e a mídia algemaram-se e, sôfregos, puseram-se a caçar os autores, quaisquer que fossem eles e ainda que não o fossem, em vez de investigar (em sua estrita acepção) a autoria do crime. Dias depois, nove suspeitos foram presos e anunciados pela polícia como os responsáveis pelos delitos. Manchetes vulcânicas, comentários vazios e enviesados, histeria dos detentores da verdade policialesca: vários jornalistas cumpriram à risca a parte que lhes coube no que, com o tempo, soube-se ser a perpetração de uma das maiores injustiças (conhecidas) da história do Brasil. [mais uma]

Um raro cumpridor do dever

Deveriam ter seguido o exemplo de um promotor de justiça corajoso e – absurdamente raro – cumpridor dos seus deveres. Eduardo Araújo da Silva examinou, cuidadosamente, os depoimentos dos acusados, que diziam ter confessado sob tortura cometida por policiais civis. Pôs-se, então, a investigar, em paralelo com policiais do Serviço Reservado da PM. [ELES FORAM OUVIDOS PELO PROMOTOR!]Concluiu, então, pela veracidade das denúncias: agentes do Estado medieval haviam, de fato, imposto toda sorte de sevícias a cidadãos inocentes que, intimidados pela dor e pelo abandono, acabariam por inventar uma participação no episódio. O promotor se baseara, entre vários outros elementos, no trabalho técnico do perito criminal Francisco La Regina, responsável pela reconstituição e cuja análise demonstrava que as peças (como os próprios acusados presos) simplesmente não se encaixavam nos fatos.

A mídia omitiu-se e, longe de apurar as queixas, preferiu fazer coro com a fraseologia policial, afiançando a tese discutível de que todo bandido sempre diz que é inocente e que só falou porque apanhou. Ao invés de pressionar pela apuração das denúncias de tortura, maus jornalistas fizeram um cerco de proteção ao delegado responsável pelo inquérito, João Lopes Filho, e atearam fogo à indignação de uma classe média que à justiça preferiu a vingança, fosse contra quem fosse.


"Ação desvairada da mídia"

Tal simplificação não encontraria eco no Poder Judiciário. Com base no relatório do promotor, que pedia a libertação dos presos por falta de provas, o juiz Francisco Galvão Bruno mandaria soltar sete dos nove acusados (dos dois que permaneceram presos, o menor Cléverson Almeida de Sá estava sendo processado por um outro assalto e Marcelo Nunes Fernandes tinha pena por roubo a cumprir): Benedito Dias de Sousa, Jailson Ribeiro dos Anjos, Luciano Francisco Jorge, Marcelo da Silva, Natal Francisco Bento dos Santos, Valmir da Silva e Valmir Vieira Martins recuperaram, enfim, a liberdade. Não é difícil, contudo, imaginar o tamanho e a natureza do impacto pessoal, familiar e social da injustiça na vida de cada um deles, dali em diante.

Em março de 1997, o juiz José Ernesto de Mattos Lourenço condenaria quatro dos seis novos réus. Na sentença, lê-se este trecho, sobre o tratamento dispensado pela mídia aos nove acusados anteriores:

"Seria a imprensa também a provocadora da ação desvairada que vitimou jovens inocentes que injustamente foram presos, sem qualquer interferência, é verdade, quanto aos sofrimentos experimentados? A resposta é sim. Arvorou-se uma parte da imprensa em defensora da sociedade e exerceu uma pressão insuportável e incompatível com o bom senso. De há muito tempo a imprensa afastou-se da função de noticiar o fato e assumiu ares de julgadora, na ânsia desesperada de noticiar escândalos e explorar a miséria humana, sem se dar conta dos seus limites. Passaram a acusar, julgar e penalizar com execração pública. A lição ainda não serviu. Diariamente continuam explorando as notícias na corrida louca da audiência que, na verdade, tem por finalidade o lucro, o dinheiro dos patrocinadores que não têm qualquer escrúpulo em mostrar seus produtos, à custa da degradação..."

A obra de Dorneles é bem escrita, o texto é informal, preciso e elegante. A narrativa é conduzida pelos desencontros da vida de Cléverson, o menor infrator acusado de outros crimes e ponto de partida para a teia sinistra que se formaria com a detenção de outros rapazes que seriam dados como "culpados" pela polícia.

Há uma ressalva, porém, à fórmula da narração. Ainda que amparado pelas decisões da Justiça, pela coincidência e pela consistência dos depoimentos daqueles que foram considerados injustiçados, Dorneles perigosamente abraça os relatos em sua literalidade, contando os fatos (como se deram as torturas, por exemplo) em minúcias, como se o próprio autor houvesse testemunhado tudo, in loco. Trata-se de um risco desnecessário. Sempre haverá a possibilidade de uma incorreção factual, motivada por diversos fatores, como os exageros, as omissões da lembrança, as "travas" e, o que não é de duvidar em tal atmosfera, distorções que busquem aprofundar o abismo já existente entre a vítima e o verdugo, por impulsos de compensação psicológica.

Afora esse parêntese, que pode indicar a necessidade de uma maior dose de prudência ao leitor, Bar Bodega – Um Crime de Imprensa é uma obra fundamental, um lembrete e um alerta para todos os agentes da cobertura policial: os acusados, as vítimas, os familiares, os policiais, os advogados de defesa, os promotores, os juízes, os jornalistas, todos devem tê-la como referência. E, claro, os donos dos veículos, também.

Outros trechos

"A imprensa continuava publicando informações contraditórias, dia após dia. Depois da reconstituição, voltou a afirmar que o assassino do dentista era Valmir da Silva, e não mais Marcelo Nunes Ferreira, o `Marcelo Negão´. Ninguém parecia se importar nem com o fato de que o tão procurado Marcelo Negão, líder do caso Bodega, quando foi encontrado, era branco. E, obviamente, negava ter o apelido de Negão. Se a polícia dizia que era ele, assim era;"

"Uma exceção foi o jornalista Luis Nassif. Em artigos na Folha de S.Paulo ou em comentários na Rede Bandeirantes, ele criticou duramente a cobertura jornalística do caso. Ficou falando sozinho;"


[Depois da detenção dos novos acusados]

"A notícia da prisão emudeceu muita gente, além da imprensa. O secretário de Segurança, José Afonso da Silva, não quis fazer comentários. O delegado João Lopes Filho não foi achado. No dia seguinte, disse que reconhecia que os presos de agora eram os verdadeiros assaltantes do Bodega. Mas negou as torturas mais uma vez. `Não sei o que levou aqueles homens a confessar com tanta riqueza de detalhes.´ A líder do movimento `Reage São Paulo´, Albertina Dias Café e Alves, não quis responder perguntas, fez apenas uma rápida declaração: `Ainda estamos cautelosos porque da primeira vez também existiram confissões´. O pai de Adriana, Carlos Ciola, esteve na delegacia para ver os acusados. Na saída, um comentário rápido: `Não sei o que dizer, apenas quero ver os verdadeiros culpados na cadeia´. O caso Bodega desapareceria rapidamente das manchetes. A prisão dos verdadeiros culpados era um atestado revelador demais do tipo de comportamento que a imprensa adota em situações como essa, quando os acusados são pobres, sem assistência jurídica, sem nenhuma possibilidade de defesa."

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O crime e a imprensa nas palavras do procurador (artigo escrito em 2006)

(trechos do artigo encontram-se no final do post)

Gostaríamos que o procurador escrevesse um novo artigo sobre o papel da imprensa no caso do Dr. Joaquim Ribeiro Filho e apontasse os avanços que ajudou a realizar na relação entre a imprensa e as fontes policiais e o que fez para diminuir a superficialidade com que é tratada a justiça criminal na mídia (ver trecho do artigo do procurador de 2006, abaixo).

Gostaríamos que fizesse uma análise documentada das manchetes, das denúncias lançadas a todo momento pelas "fontes policiais" e publicadas sem qualquer esforço de apuração pelas redações, das manchetes inverídicas, dos ocultamentos de informação (ver perguntas sem respostas)

Gostaríamos que documentasse a total exclusão de depoimentos de pacientes a favor do médico, o vazamento do conteúdo das escutas fora de contexto feito aos jornais (sem que o médico sequer fosse ouvido para contradizê-los na denúncia), a profunda confusão sobre o que é um sistema de transplantes, os critérios da fila e o que vinha sendo a perseguição realizada pela Central de Transplantes do Rio. Por que demoraram tanto a "regularizar a fila"? O que ocorreu com cerca de 200 pessoas "desaparecidas" da lista? Alguma autoridade resolveu investigar? A imprensa preocupou-se em apurar?

Gostaríamos que o procurador abordasse, também, a total inoperância das autoridades fiscalizadoras com relação à "situação "meio desorganizada"" (sic) do sistema de transplantes no Rio (tudo o que a Central diz é publicado sem questionamento), que abordasse a total desconsideração da defesa que o médico já vinha fazendo na Justiça, que se posicionasse - publicamente - sobre o vazamento de documentos apreendidos na casa do médico para o jornalismo hediondo montar suas matérias absurdas (quem foi o responsável por isso?). Nesse caso, gostaríamos de saber como reagiriam os policias federais - ver o caso do delegado Protógenes- e os procuradores se isso ocorresse com eles.

(O crime e a imprensa - Marcelo Miller)
Revista ANPR Online - número 2 - julho/outubro 2006 (para ver a íntegra, clique no link)
(...)É verdade que as instituições encarregadas do combate ao crime têm um longo caminho a percorrer no aperfeiçoamento de seu diálogo com a imprensa. Elas ainda confundem discrição com introversão e precisam resistir à tentação de confundir comunicação social com propaganda. Também é verdade que a imprensa poderia ajudá-las com um esforço ampliado de compreensão do papel de cada uma no sistema de justiça criminal e do funcionamento do próprio sistema em seu conjunto. O balanço das operações da Polícia Federal publicado pelo Jornal O Globo em 12/11/2006 reflete essas verdades ao fazer um alerta importante, mas sem dois dados essenciais: nem as operações da Polícia Federal são exclusivas da Polícia Federal, pois são controladas pelo Poder Judiciário e pelo Ministério Público, nem os processos judiciais são realidades apartadas do que a investigação policial consegue apurar.

Esse balanço é apenas um exemplo do modo e do tom que têm prevalecido na cobertura jornalística dos problemas de segurança pública. Um estudo sobre mídia e violência desenvolvido no ano passado pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes (clique no link) confirma o que uma leitura atenta sinaliza: a imprensa é altamente dependente de fontes policiais e trata o sistema de justiça criminal de maneira superficial.
(...)
Uma abordagem jornalística do problema da segurança pública ao mesmo tempo mais sofisticada e mais combativa, em que as disfunções do sistema de justiça criminal deixem de ser tratadas como exceções e seus êxitos sejam recebidos com ceticismo e ponderação, em que não haja, enfim, afinidades eletivas nem escolha de heróis e vilões, poria a imprensa mais perto do papel destacado que ela desempenhou, por exemplo, nas discussões sobre o combate à inflação e a responsabilidade fiscal. O Brasil agradeceria mais uma vez.


Ver: Marcelo Beraba. Nas mãos da Polícia - Folha de S. Paulo27/02/2005