Este blog é apenas uma parte da história de todos aqueles que, de algum modo, resistiram aos atos arbitrários impostos ao Dr. Joaquim Ribeiro Filho e sua equipe -
"A opinião das outras pessoas vai se escorrendo delas, sorrateira, e se mescla aos tantos, mesmo sem a gente saber, com a maneira da idéia da gente!"
(Grande Sertão: Veredas. Guimarães Rosa)
"Já fomos reintegrados, mas não temos como trabalhar sem condições.
Lá não tem sistema, os exames não estão sendo atualizados, ninguém sabe os telefones do Rio Transplante, as coordenadorias inter-hospitalares foram desativadas, nós estamos 10 meses sem reuniões, as câmaras técnicas não estão constituídas", disse.
"A subsecretaria jurídica tem que trabalhar para o estado, e não para o secretário. Eu sou funcionário público, meus clientes são públicos, e a ação não pode ser parcial dessa maneira, com denúncias falsas." (Sidney Rezende. Bate-boca na saúde do Rio. 28/09/2007)
2) A Câmara Técnica só se reuniu uma vez desde julho de 2006, de acordo com Ordacgy. O defensor afirma que os encontros deveriam ser mensais ou bimensais.
Por que a Polícia Federal e o MPF não foram atrás disso?
O que essas instituições tem a dizer sobre a responsabilidade da Secretaria de Saúde (Sérgio Côrtes) e da Central de Transplantes (Ellen Barroso) sobre 100 mortos e 200 pacientes não encontrados para fazer novos exames, que estavam listados na fila de transplante em 2008, após a prisão do médico?
A chamada para exames que identificou essa incompetência na gestão do transplantes foi uma "jogada para a arquibancada" da Secretaria de Saúde e da Central de Transplantes (Ver: Heliete Vaitsman. O diagnóstico que a mídia não fez). É difícil entender como os jornalistas aceitaram esse jogo sem fazer um mínimo de questionamentos... O linchamento é cômodo para a rotina jornalística? Não há uma linha de crítica sobre a gestão desses senhores por parte da imprensa, da PF e do MPF...
Por que se apontou para o delegado da Polícia Federal e "sua" operação como a responsável por essa descoberta se ela já vinha sendo denunciada diversas vezes pelo médico?
Por que essa determinação em se ouvir apenas um lado dessa história?
Delegados da PF e os procuradores do MPF trabalham para o Estado.
Sidney Rezende: "Fui demitido da CBN" É incrível que um dos poucos jornalistas que realmente transformava o rádio em um espaço de debate público tenha sido demitido da CBN/Rio. Vejam duas reportagens do caso do Dr. Joaquim Ribeiro Filho. Observem a condução da reportagem e tirem suas conclusões.
O Secretário de Saúde do Rio diz que quer “dirimir dúvidas” sobre os exames para evitar possíveis fraudes. Quer dizer que havia dúvidas nesses exames? Desde quando existem? Quais são? Quem são os responsáveis por deixar a situação desse jeito tanto tempo, quando São Paulo e outros estados já haviam modificado seus critérios ? Que tipo de processo os cidadãos (doadores e membros da lista de espera de transplante) devem abrir contra eles? Por que não se investiga isso nos jornais?Não há mais nenhum outro problema e responsáveis pela situação dos transplantes no Rio? A rede de hospitais e profissionais que deveriam fazer a captação, a capacitação de novos profissionais (com bolsas atrasadas de acordo com entrevista do Dr. Joaquim a Sidney Rezende em 04/07/2008 - ver marcador entrevistas com Sidney Rezende)?
Veja entrevista para Sidney Rezende na CBN em 1.1.2008 (você não vai conseguir encontrá-la de outro modo)
Rio+ Governo diz que fígado não servia para transplante Da Redação | Rio+ | 01/01/2008 11:17:00 | DiHitt: indicar
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O coordenador de transplante de fígado do Hospital do Fundão, no Rio de Janeiro, Joaquim Ribeiro, acredita que a paciente Jânia Gomes, que está na fila de espera para um transplante, perdeu a sua última chance de sobrevivência. Tudo, segundo ele, por causa de uma disputa com o Rio Transplante, programa da Secretaria de Estado de Saúde para implementar e coordenar o processo de transplantação no Rio de Janeiro.
Jânia está na fila por um doador de fígado há quatros e, no domingo, recebeu um telefonema do hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que teria encontrado um doador, no caso uma criança de cinco anos, de São Paulo, vítima de morte cerebral. No entanto, o transplante não aconteceu e o fígado foi jogado no lixo.
Para Ribeiro, houve incompetência e ineficiência dos responsáveis. ?O estado dela é grave e, provavelmente, ela vai morrer sem esse transplante?, afirmou o coordenador, em entrevista a Sidney Rezende, na CBN.
O subsecretário jurídico e de corregedoria da Secretaria de Saúde e Defesa Civil, Pedro Henrique de Masi Pinheiro, escolhido pelo governo para falar sobre o assunto, explicou que a criança tinha sorologia positiva para hepatite e que a maioria das equipes não faz transplante nessas condições.
?Minas, São Paulo e Espírito Santo não concordaram em fazer o transplante com o fígado nessas condições. Primeiro, foi chamada a equipe de Bonsucesso, mas eles não aceitaram fazer a operação com esse órgão. Então, a equipe do Fundão aceitou e eles foram lá para coletar o fígado. Chegando lá, o médico falou que havia se enganado, que ele pensou que a criança tinha 27 quilos?, disse ele, também em entrevista a Sidney Rezende na CBN.
?Acontece que, segundo os técnicos da Central de Transplante, ele tinha sido avisado que o peso da criança era de 17 quilos. Então, ele não poderia usar em um paciente de número 26 e levantou que poderia usar em um paciente de número 253, que era a senhorita Jânia?, completou.
No entanto, Ribeiro afirma que o erro foi do Rio Transplante e responsabilizou diretamente a atual coordenadora, Ellen Elizabeth Macedo Barroso, pelo fato de o órgão ter sido jogado fora.
?Ela disse que a nossa equipe está sendo investigada, que não somos confiáveis. Nós vamos cobrar isso da Justiça. Ela pegou uma questão pessoal com a nossa equipe e prejudicou uma paciente, com argumentos de que favorecemos pacientes ilustres. Mesmo que isso estivesse acontecendo, ela não tem o direito de impedir que a paciente fosse transplantada?, afirmou o médico.
O subsecretário, por sua vez, alegou que a coordenadora da Central de Transplantes verificou a fila do Sistema Nacional de Transplantes, e constatou que havia uma paciente, de número 80, apta a receber o órgão, mas, de acordo com a equipe da UFRJ, a paciente não tinha feito todos os exames necessários. O problema é que quando não são feitos todos os exames, o nome não pode constar na lista como ativo. O Sistema Nacional de Transplantes afirmou que, do número 80 ao 253, não é possível verificar quais são os doadores compatíveis, mas que eles poderiam existir. Então, nesse contexto, a doutora Ellen estava respeitando uma fila. Pinheiro disse que caberia ao Fundão retirar o número 80 da fila, ou ao Sistema Nacional de Transplantes indicar quem seria o substituto do número 80.
?Nós estamos acompanhando a paciente desde o início. Ela não deveria estar na posição 253. Provavelmente, ela estaria na posição 20, 25. Isso porque eles não estão atualizando os exames. Esse sistema de gravidade é dinâmico. Independente disso, nós, como médicos, temos o dever de colocarmos um órgão em um paciente que seja compatível?, protestou Ribeiro.
Além de Jânia, outras 1.194 pessoas esperam por transplantes no Rio. São 300 pacientes que necessitam de cirurgias com urgência. De acordo com Joaquim Ribeiro, apenas 90 foram atendidos no ano passado.
Ele seria o único responsável pelo absurdo que se transformou o transplante no Rio?
O Ministério descobre que a lista de pacientes da Central de Transplantes do Rio tinha pacientes sem exames, duplicados, mortos ou já transplantados (retiro essa informação da Folha - que embarca na versão do Rio Transplante de que isso também é obra do Fundão) e ninguém é investigado por isso? Garantimos que não é o Dr. Joaquim o responsável pela gestão da lista. Há alguém indicado e com poderes para cuidar disso? Se havia problemas com regularização de exames no Fundão porque o Rio Transplante não fez uso de seu poder para regularizá-lo? Foi a operação Fura-Fila que detonou essa mudança?
A Folha atribui essa descoberta à operação Fura-Fila. O curioso é que uma denúncia feita pelo Dr. Ribeiro - sobre a não atualização dos dados dos exames da lista de pacientes - foi feita a Sidney Rezende, na rádio CBN na frente do subsecretário jurídico e de corregedoria da Secretaria de Saúde e Defesa Civil, Pedro Henrique de Masi Pinheiro em 1/1/2008. O link acima foi retirado do ar. Veja este de 28/09/2008 a Sidney Rezende: Bate-boa na saúde do Rio. Estamos copiando as matérias pois elas somem da internet.
Ciência e Saúde Bate-boca na saúde do Rio Da Redação | Ciência e Saúde | 28/09/2007 16:20
O médico Joaquim Ribeiro Filho, acusado de deixar furar a fila de transplantes para atender a um paciente de um hospital particular, refutou nesta sexta-feira as afirmações da Secretaria Estadual de Saúde. Segundo Joaquim Ribeiro, que coordena uma equipe especializada no hospital Clementino Fraga, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as acusações feitas pela secretaria de Saúde são falsas e seriam uma retaliação às denúncias feitas pelo médico sobre as condições de transplante no estado.
O subsecretário jurídico Pedro Henrique Palheiro relatou, em entrevista a Sidney Rezende, na CBN, a versão dos fatos segundo a secretaria estadual de Saúde. "O que aconteceu foi que o doutor Joaquim (Ribeiro Filho), quando comunicado sobre o fígado disponível, afirmou que coletaria o órgão, e confirmou que seria transplantado na paciente que estava no 1º lugar da fila, o que foi registrado na Central de Transplantes. Mas o que foi verificado posteriormente é que o órgão foi transplantado em outro paciente, em uma clínica particular, a São Vicente", disse o subsecretário jurídico da Secretaria Estadua de Saúde, Pedro Henrique Palheiro, em entrevista a Sidney Rezende, na CBN. "O que questionamos é a irregularidade, porque a paciente que estava na fila é um caso mais grave do que o do paciente que recebeu o transplante, e a ordem judicial a que o médico se refere era válida apenas em Pernambuco, onde foi emitida."
Em resposta às acusações, Joaquim Ribeiro afirmou que a equipe que realizou o transplante estaria cumprindo determinação válida em território nacional, diferentemente do que afirmou o subsecretário. "Além disso, o órgão seria jogado no lixo. Ao invés de ser jogado no lixo, salvou uma vida. Isso tem acontecido em grande escala no nosso país, especialmente no Rio", defendeu-se o médico. "Inclusive, essa ação do subsecretário já foi cassada, porque é inconstitucional, a equipe já foi reintegrada conforme decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), mas ele continua divulgando que estamos suspensos. Isso é uma retaliação da parte do secretário Sérgio Cortes à minha pessoa, porque estou denunciando a ineficiência e a incapacidade de realização de transplantes de órgãos no Rio de Janeiro".
O subsecretário disse ainda que Joaquim Ribeiro não teria notificado a Central de Transplantes corretamente, e que há um processo administrativo em andamento, com acompanhamento dos Ministérios Públicos do estado e da União. "Mudar as regras dessa forma é muito grave. Se a Central tivesse examinado os pacientes, e tivesse destinado o órgão ao paciente que ele escolheu, seria um procedimento regular. Mas o que não pode é o médico decidir qual paciente receberá o fígado", disse Palheiro. "A administração pública não precisa entrar na parte judicial, ela pode punir o médico envolvido em irregularidades, segundo a lei de transplantes. Podemos descredenciar a equipe, a clínica São Vicente poderá ser multada, e paralelamente isso poderá entrar na esfera criminal, porque é crime".
O subsecretário também questionou o ofício que teria autorizado o transplante no outro paciente. "Diz a decisão que havia risco de vida para o paciente que recebeu o transplante. Mas, independente da decisão judicial, ocorreram irregularidades. A central recebeu apenas um envelope fechado com cópia do ofício por uma pessoa que não é oficial de Justiça."
Porém, de acordo com a versão de Ribeiro, além da ordem judicial, o paciente que recebeu o transplante teria sido encaminhado pela própria coordenadora do Rio Transplante, Ellen Elizabeth Macedo Barroso, autora da denúncia contra a equipe médica. "É uma brincadeira isso. Eles estão dizendo que o paciente não é do Rio de Janeiro, que não estava inscrito, mas é mentira. Não quebrei procedimentos"
Acusações a Sérgio Côrtes
Joaquim Ribeiro afirmou a suposta represália de Sérgio Côrtes foi desencadeada pela denúncia que o médico fez publicamente sobre a situação em que se encontra o sistema de transplantes no Rio. Segundo o médico, Côrtes "destruiu o programa Rio Transplantes. É um absurdo o que tem sido feito. Queriam destruir também o sistema de transplante de órgãos no Fundão. O transplante de rim já está parado há seis meses e, do jeito em que as coisas andam, provavelmente tudo irá parar em breve."
O médico também mencionou o processo nº 2007.001.163501-3 no TJ-RJ, com a decisão de que a equipe seja reintegrada imediatamente, e prevê a multa de R$ 500 para cada dia de afastamento após 26 de setembro, quando foi finalizado, contrariando a afirmação de Palheiro. "Já fomos reintegrados, mas não temos como trabalhar sem condições. Lá não tem sistema, os exames não estão sendo atualizados, ninguém sabe os telefones do Rio Transplante, as coordenadorias inter-hospitalares foram desativadas, nós estamos 10 meses sem reuniões, as câmaras técnicas não estão constituídas", disse. "A subsecretaria jurídica tem que trabalhar para o estado, e não para o secretário. Eu sou funcionário público, meus clientes são públicos, e a ação não pode ser parcial dessa maneira, com denúncias falsas."
O processo mencionado pode ser consultado na página do TJ-RJ, http://www.tj.rj.gov.br/.
Jornal Nacional - 31/12/2007
Por que a PF e o MP não agiram para identificar o caos na Central de Transplante e a melhoria da rede de captação, mas dedicaram-se obcecadamente em encontrar motivos para a prisão espetacular do Dr. Joaquim?
Quando o fígado que iria para Jânia Gomes, uma mulher pobre da Baixada fluminense, foi descartado pela Central de Transplantes em 31.1.2008, o Dr. Joaquim fez a seguinte afirmação ao Sidney Rezende na rádio CBN em 1.1. 2008: "Nós estamos acompanhando a paciente desde o início. Ela não deveria estar na posição 253. Provavelmente, ela estaria na posição 20, 25. Isso porque eles não estão atualizando os exames. Esse sistema de gravidade é dinâmico. Independente disso, nós, como médicos, temos o dever de colocarmos um órgão em um paciente que seja compatível?, protestou Ribeiro." Hoje é constatado que o Dr. Joaquim estava certo e que há até pacientes sem exames atualizados, mortos, em duplicidade e já transplantados na lista. Como é possível avaliar quem está em qual posição na fila nestas condições? ninguém apura isso?
Estamos organizando um álbum de fotos no Flickr.
É só clicar nas imagens ou copiar o endereço do Flickr "Transplante é vida!"
http://www.flickr.com/photos/29873779@N02/
Este é um blog de resistência. É um blog de defesa do Dr. Joaquim Ribeiro e sua equipe. É um blog de defesa do transplante e da vida. Vamos fazer de tudo para dar voz a alguém que foi silenciado, mas que não se cansou de denunciar o que considerava errado nas políticas públicas para a saúde no Rio de Janeiro. Podem tentar derrubá-lo, mas ele vai tombar lutando! E não tombará sem muitos ao seu lado!
(Comitê de apoio formado por pessoas que, pela sua ligação com o Dr. Joaquim Ribeiro e frente ao caos que impuseram à sua honra e à sua família, ainda resistem)