sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Dr. Joaquim Ribeiro Filho e o caso Norton Nascimento (2004) e as novas medidas anunciadas pelo ministro da Saúde (2008)

Não cansamos de mostrar a coerência do Dr. Joaquim Ribeiro Filho na sua luta pela melhoria das políticas públicas de saúde voltadas para o transplante de órgãos. Quatro anos antes (2004) o Dr. Joaquim já defendia a melhoria no sistema de manutenção dos potenciais doadores e na ação junto à família do doador. Anunciava um processo de qualificação e descentralização por meio de coordenações intra-hospitalares para que melhores resultados fossem alcançados.

Doar órgãos, um ato de solidariedade
Joaquim Ribeiro Filho *


O Brasil acompanhou a recuperação do ator Norton Nascimento, graças a um bem-sucedido transplante cardíaco realizado em regime de urgência no fim do ano passado, na cidade de São Paulo, com um coração proveniente do Rio de Janeiro.
Houve um eficiente entrosamento entre a central de captação do Rio de Janeiro, a central nacional, em Brasília, e a de São Paulo, disponibilizando um coração que não seria utilizado no Rio de Janeiro, de um doador perfeitamente compatível com Norton em tamanho e grupo sangüíneo, e que chegou ao Hospital da Beneficência Portuguesa a tempo de ser implantado com sucesso.

Houve a solidariedade da família de um jovem médico, morto em acidente automobilístico a caminho do trabalho, que não hesitou em autorizar a doação de órgãos e de tecidos, propiciando vida a vários pacientes inscritos em diversas listas: coração, fígado, rins, pulmão, pele, osso e córneas.


Atualmente, no Brasil, cerca de 58 mil pessoas aguardam por uma doação. Apesar de sermos o segundo ou terceiro país em números absolutos de transplantes realizados no mundo, ainda estamos longe de atingir os índices de doação de órgãos observados na Europa, nos Estados Unidos e na Austrália, de pelo menos 10 doadores por milhão de habitantes ao ano. Ficamos, em média, em 4,5 por milhão de habitante ao ano, contra até 30 em algumas regiões da Península Ibérica.

A divulgação ampla da recuperação do ator Norton Nascimento vem sensibilizando corações e mentes em diversas partes do país, com o conseqüente aumento desta atividade. Campanhas publicitárias, inserções do assunto em novelas, enredos de escola de samba - caso da Mocidade Independente de Padre Miguel, no carnaval passado - e qualquer divulgação positiva aumentam, significativamente, o número de doações de múltiplos órgãos e tecidos.

No entanto, é preciso sensibilizar o médico que trabalha em unidades de terapia intensiva e nas emergências para o fato de que um paciente que evolui para morte cerebral poderá salvar outros pacientes. A manutenção de um potencial doador é trabalhosa e requer medidas para garantir os possíveis órgãos e tecidos em condições de serem transplantados. O protocolo estabelecido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) impõe a realização de dois exames por médicos não envolvidos com programas de transplante de órgãos, sendo pelo menos um neurologista, e um exame que demonstre a ausência de fluxo ou de atividade ou de metabolismo cerebral, como o eletroencefalograma, arteriografia ou ultra-som transcraniano.


O protocolo diferencia, com absoluta segurança, morte cerebral de coma profundo, não podendo ser utilizado em pacientes que estejam com temperatura baixa ou em uso de medicamentos depressores do sistema nervoso central, o que pode dificultar o diagnóstico correto. O coma profundo é reversível. Pacientes em morte cerebral, contudo, jamais foram revertidos e evoluem para parada cardíaca, ao fim de três a quatro dias nesta condição.

No Rio de Janeiro, o Programa Rio Transplante está sendo descentralizado, com a formação de coordenações intra-hospitalares de captação de órgãos, iniciando-se por hospitais com Serviços de Emergência e nos quais trabalham médicos e enfermeiros capacitados para valorizar potenciais doadores, treinados na abordagem correta dos familiares, conhecimentos adquiridos com educação continuada.

O processo está sendo regionalizado.
Nas regiões Norte e Noroeste observa-se atividade importante de transplantes renal e de córneas, o que será estendido às demais áreas do Estado. É importante ressaltar que a decisão de doar órgãos e tecidos é da família, que perde um ente querido mas que, ao decidir-se pelo gesto humanitário da doação, poderá salvar a vida de muitas pessoas.

* Coordenador do programa Rio Transplante e do Programa de Transplante Hepático do Hospital do Fundão
JB ONLINE
[06/FEV/2004]


Veja as medidas tomadas pelo ministério da Saúde em 25/09/2008 e anunciadas pelo ministro Temporão:
Temporão lança medidas para ampliar número de transplantes
Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil


Brasília - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lançou hoje (25), um conjunto de medidas para ampliar o número de transplantes feitos no Brasil.

Entre elas, o reajuste de até 40% no valor pago pelos transplantes, a bonificação de 100% na remuneração de procedimentos realizados pelas equipes hospitalares de captação de órgãos que resultarem efetivamente em transplante e a autorização para que hospitais particulares passem a retirar órgãos para doação com custeio pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“O Brasil precisa aumentar a captação de órgãos para transplante e isso envolve questões técnicas e organizacionais do serviço de saúde, mas, evidentemente, a autorização das famílias para que os órgãos disponíveis possam ser captados e transplantados, salvando vidas e melhorando a performance do sistema de transplante brasileiro”, afirmou Temporão.
O conjunto de medidas, que deve gerar um impacto anual de R$ 60 milhões nos gastos com procedimentos para transplantes, prevê ainda que doadores vivos de órgãos (como ocorre nos casos de transplantes de rim, parte de fígado e de pulmão) recebam por toda a vida acompanhamento dos hospitais onde foi realizado o procedimento.

Também passa a ser facilitada pelo SUS a realização do conjunto de exames exigidos para a inclusão de um paciente na lista de espera por transplante. O objetivo é evitar que as pessoas que dependem do sistema público de saúde fiquem em desvantagem em relação àquelas que podem pagar pelos procedimentos no sistema privado e assim entrar na fila com maior rapidez.

Além das mudanças que já estão em vigor a partir de hoje (25), o Ministério da Saúde vai propor uma consulta pública sobre alterações para modernizar e tornar mais enxuto o Regulamento Técnico do Sistema Nacional de Transplantes e dar mais transparência ao gerenciamento desse sistema.

Entre as mudanças apresentadas para discussão pela sociedade, durante os 60 dias que irá durar a consulta, estão novos de critérios de prioridade para a destinação dos órgãos às pessoas que necessitam de transplante, a unificação desses critérios em todos os estados da federação e a possibilidade de acesso e controle pelos pacientes do andamento da lista de espera.

As medidas foram anunciadas durante o lançamento da Campanha Nacional de Doação de Órgãos 2008 que será veiculada até o dia 12 de outubro por emissoras de rádio e TV em todo o país com o slogan Tempo é Vida.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 72 mil pessoas aguardam por transplante no Brasil e a maior dificuldade para atendê-los é a falta de doadores. A cada ano são realizados em média 15 mil transplantes no país, 90% deles custeados pelo SUS que investe anualmente cerca de R$ 500 milhões na área.

Ver ainda: Em busca de rapidez no atendimento - Dr. Joaquim Ribeiro Filho

Nenhum comentário: