sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Paulo Branco - paciente/geólogo

Fui cuidado antes e depois de ser transplantado pela equipe do Dr. Joaquim Ribeiro e até hoje o acompanhamento pós-transplante é feito pela Dra Samanta Basto e pelo Dr. Joaquim. Graças ao bom Deus que me colocou na mão de pessoas de alta competência profissional, dedicação absoluta, grande honestidade e paciência com meus defeitos e descuidos de paciente chato que trabalha em outra área científica mas sempre teve a curiosidade de querer saber os detalhes disso e daquilo.

Eles não são apenas médicos mas, especialmente o Dr Joaquim atua em sua profissão com um verdadeiro sacerdócio, tal a sua dedicação. Coitados deles por me aguentarem todos esses anos e pelos anos que vem até a minha passagem por esta vida.

Fiquei na fila de transplantes de 2003 a 2006, sendo transplantado no Hospital Clementino Fraga Filho (UFRJ) e sua equipe, em abril de 2006. Durante todo este período conversei muito com eles e com a Dra. Samanta e presenciei a preocupação, tristeza e alguma agonia quando passava um período com poucos transplantes pela falta de doadores, e também a sua alegria quando apareciam órgãos e os transplantes eram realizados. Lembro que, uma vez, durante uma consulta em uma sexta-feira (sim, ele também atua em hepatologia clínica) ele um pouco exausto me disse "Puxa, sabe quantos transplantes eu fiz esta semana? Cinco.".

Quanto à Dra Samanta, que teve o seu nome veiculado na imprensa, ela é o meu anjo protetor que cuida de mim e mantem a minha saúde em ordem (apesar de eu ser meio desleixado).

Apesar da demora em me pronunciar (viagem e muito trabalho), e peço desculpas aos dois por isto, quero deixar aqui o meu (e de toda a minha família, mulher, filhos, netos e demais parentes, e amigos) depoimento de total apoio aos meus dois queridos médicos, solidarizando-me com todos que participam deste blog de apoio ao Dr. Joaquim Ribeiro e equipe, colocando-me à disposição deles para qualquer coisa (depoimento oficial, entrevista com a imprensa, contatos com autoriddes, etc).

O nosso país é feito de gente lutadora, acostumada a resistir às intempéries da vida e sei que eles vão sobreviver a esta tempestade de sandices, reportagens estúpidas e comportamento nazistóide de parte da grande mídia e de algumas autoridades do poder constituído.

Neste sentido quero dar os parabéns à matéria publicada por Heliete Valtsman, em 13/08/2008, no Caderno de Cidadania do Observatório da Imprensa http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=498CID003 ,
que aborda o assunto de forma abrangente e com a isenção necessária ao bom jornalismo, despreocupado em acusar, prejulgar e condenar pessoas íntegras, tudo em nome do aumento do índice do IBOPE e da venda maior de seus jornais e revistas.
Não é esta a liberdade de imprensa pela qual eu sempre lutei desde os tempos de estudante na época da ditadura militar.

Finalmente gostaria de chamar à razão aos que prenderam o Dr. Joaquim, responsabilizando-os pela perda de vidas que hoje estão esperando por um transplante, não só pela sua prisão como pelo fechamento da unidade de transplante do hospital da UFRJ.

Atenciosamente,


Paulo Cesar Martins Pereira de Azevedo Branco - Geólogo - Assessor da Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial da CPRM-Serviço Geológico do Brasil -
59 anos - RG 3.162.673-2, DETRAN/RJ

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